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Dieta Mediterrânica dinamiza o Algarve

O presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional do Algarve, José Apolinário, defende que a Dieta Mediterrânica deve ser explorada nas diversas áreas que abrange de forma a contribuir para a dinamização do tecido económico da região.

Temos falado de Dieta Mediterrânica só do lado da Cultura, e ela também é parte integrante deste projeto, mas é preciso focar o lado da saúde e da alimentação até para valorizar aquilo que é diferente”, afirmou o presidente da CCDR do Algarve sobre este património imaterial da humanidade reconhecido pela UNESCO em 2013.

José Apolinário considerou que a Dieta Mediterrânica deve ser a ‘âncora’ dos projetos do próximo quadro comunitário de apoio 2030 e sublinhou a necessidade de os produtos regionais serem desenvolvidos e promovidos neste âmbito.

“Quando o turismo promove iniciativas como o enoturismo, está a promover também a Dieta Mediterrânica e, muitas vezes, fala-se deste pacote do enoturismo e não se fala da Dieta Mediterrânica”, exemplificou.

O presidente apontou ainda o projeto anunciado pela Comunidade Intermunicipal do Algarve de, num “esforço concertado entre todos os municípios, nas refeições escolares passar a haver produtos locais”, frisando que, desta forma, se está também a promover este património imaterial.

“Agora temos de dar um passo em frente, temos de atualizar o Plano de Salvaguarda (da Dieta Mediterrânica), reduzir o número de ações para poderem ser monitorizadas, ser mais ambiciosos e exigentes em relação a essas ações”, considerando que a Dieta Mediterrânica “não pode ser apenas vivida quando se organiza a feira” e tem de “fazer parte daquilo que é a matriz da ação concertada ao longo do ano”.

Salientou, também, a necessidade de inovar na gastronomia e na cozinha ou apoiar mais a investigação e conhecimento sobre a Dieta Mediterrânica em todas as suas vertentes, da cultura, do bem-estar e da saúde.

Tavira é a comunidade representativa da Dieta Mediterrânica que liderou a candidatura a património imaterial da humanidade e a presidente da Câmara, Ana Paula Martins, disse à agência Lusa que a 8.ª edição da Feira da Dieta, que decorreu de 8 a 11 de setembro assinala um regresso a um ponto alto das atividades relacionadas com este património.

“Na altura olhámos para a Dieta como projeto âncora para ajudar a promover o concelho e acho que acabou por acontecer, estávamos no meio de uma crise em 2013, e acho que Tavira pegou nesse reconhecimento e usou-o para promover e dinamizar o seu tecido económico”, afirmou a autarca, frisando que inicialmente o projeto se focou mais na vertente da gastronomia, da promoção do território e da cultura e identidade, devendo agora, evoluir também nas áreas da formação e da criação de competências.

O desenvolvimento de projetos culturais, o aproveitamento de recursos endógenos, como a alfarroba e a amêndoa, vão contribuir para a valorização da Dieta Mediterrânica e das suas vertentes, complementando-as com a atividade económica principal da região, o turismo, para que possam ser um cartão-de-visita para impulsionar atividades económicas à volta deste património imaterial da humanidade.

 

Fonte: Lusa