//Cornucópias

Cornucópias

Tudo indica que as Cornucópias pertencem ao receituário do Mosteiro de Cós.

Embora seja incerta a sua origem, tudo indica que as Cornucópias pertencem ao receituário do Mosteiro de Cós, fundado no século XII, dependente do Mosteiro de Alcobaça. A sua forma inspira-se na de um vaso com feitio de corno, que na Antiguidade simbolizava a fertilidade e a abundância, pois do seu interior jorravam frutos e flores. As de Alcobaça são recheadas de ovos-moles, confecionados com gemas e açúcar, quase os únicos ingredientes que entram no receituário da doçaria conventual portuguesa, depois da utilização das claras com objetivos mais prosaicos.

Ingredientes
Para a massa: 250 g de farinha; 3 colheres de sopa de manteiga; 1 colher de chá de fermento em pó; sal q.b.; azeite ou óleo para fritar; açúcar e canela para polvilhar. Para o recheio: 1 chávena almoçadeira de doce de ovos-moles.

Preparação
Misture e amasse a farinha, a manteiga, o fermen¬to, o sal e a água até conseguir obter uma massa própria para tender. Tenda a massa com a espessura de cerca de 2 ou 3 mm. Corte em tiras de 1.5 cm de largura e enrole em espiral, partindo de cima para baixo, em forma de cornucópias, aconchegando bem. Entretanto coloque a água e o açúcar ao lume. Deixe ferver cerca de 25 minutos. Retire do lume e deixe arrefecer. Assim que estiver frio, mexa as gemas e junte. Envolva bem e leve ao lume a cozinhar. Deixe ferver dois minutos. Frite as cornucópias em azeite ou óleo, ou mistura dos dois, a 160º C. Retire-as, passe-as por açúcar e canela e recheie com o doce de ovos-moles.

A doçura das Cornucópias pode ser acompanhada por um vinho generoso da região de Carcavelos que, sendo espesso e cheio de aroma, combina muito bem com a delicadeza dos ovos moles.

Alcobaça
Nascida entre os vales do rio Alcoa e do rio Baça, Alcobaça deve a sua fama ao magnífico mosteiro fundado, aquando da Reconquista, por D. Afonso Henriques. Entregue aos monges de Cister, os reis que sucederam ao “Conquistador” foram doando à Ordem novas terras, concessões e regalias, insti¬tuindo-lhe um imenso território: o célebre domínio dos treze Coutos de Alcobaça. Os monges, além da sua atividade religiosa e cultural, ensinaram técnicas agrícolas graças às quais arrotearam terras, secaram pauis e organizaram explorações, tendo criado, praticamente, a partir do nada, uma região agrícola que se manteve até hoje. Se é incalculável o valor do legado da Ordem de Cister para o desenvolvimento agrícola da região, menor também não é a sua herança no que se refere às tradições culinárias. Do convento de Cós, funda¬do no século XIII pelo abade de Alcobaça, saíram das mãos das freiras Bernardas uns verdadeiros milagres de ovos e açúcar, doces ainda hoje capa¬zes de fazer qualquer um cair no pecado da gula e celebrados todos os anos no Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, na Mostra Internacional de Doces Conventuais.

IN: Os Sabores da Nossa Terra – Leaderoeste – Associação para o Desenvolvimento e Promoção Rural do Oeste.