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Consumir menos carne. Aceita o desafio?

‘Desafio Vegetariano’ em Portugal já levou cerca de 33 mil pessoas a praticar uma dieta à base de plantas.

Durante o mês de janeiro, quem aceitar o ‘Desafio Vegetariano’ receberá “e-mails informativos, receitas fáceis e saborosas, acesso a um grupo privado e informação profissional dada por uma equipa de nutrição” explica Elisa Nair Ferreira, coordenadora da campanha.

Com a chegada do novo ano, tentamos cumprir os bons propósitos que estabelecemos, e quer queiramos ou não, nós, seres humanos, somos movidos a desafios. E que tal embarcar no Desafio Vegetariano?

Inspirado no Internacional Veganuary, o Desafio Vegetariano da Aliança Animal propõe um mês de refeições sem produtos de origem animal com muitas adaptações de pratos típicos portugueses. O consumo de carne entre os portugueses é quatro vezes superior ao recomendado na Roda dos Alimentos, porém, de forma lenta, mas firme, há quem tenha embarcado neste desafio, começando por colocar no prato mais vegetais e leguminosas, com o objetivo de, gradualmente, conseguir deixar a carne e o peixe fora do menu de 2022.

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Foram 2700 as pessoas que se inscreveram no Desafio Vegetariano. A versão portuguesa do convite a um mês de refeições vegetarianas (com ajudas) conseguiu pôr cerca de 33 mil pessoas a contemplarem uma dieta à base de plantas, desde que surgiu, em 2018.

O desafio promovido pela Aliança Animal tem uma mensagem simples: “Comida vegetariana não é para vegetarianos, é para todos, é comida”, resume Elisa Ferreira. A frase é uma forma de atrair os mais curiosos e os chamados flexitarianos (aquelas pessoas que geralmente consomem uma dieta vegetariana mas que ocasionalmente, comem carne ou peixe), sem preconceitos ou causas e bem ciente de que a mudança coletiva só virá com alternativas que têm sabor semelhante e custam o mesmo. “Temos de tornar o vegetarianismo a coisa mais normal do mundo”, explica Elisa Nair Ferreira. Ignorar 

 A coordenadora da campanha considera ser cada vez mais importante quebrar o estigma de que uma dieta vegetariana não possa ser saborosa, saudável e acessível. Para além disso, é relevante sublinhar o facto de este tipo de dieta ser mais consciente do bem-estar animal e mais sustentável para o ambiente: “As dietas à base de plantas podem reduzir as emissões em até 50% em comparação com a dieta ocidental média intensiva em emissões”, diz o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas.

Segundo dados da Balança Alimentar Portuguesa para 2016-2020, os portugueses comem quatro vezes mais carne do que é recomendado na Roda dos Alimentos. Contudo, mais de metade dos inquiridos no 2.º Grande Inquérito sobre Sustentabilidade mostraram-se dispostos a reduzir o consumo de carne e dizem já fazer uma refeição de base vegetal por semana. 

De forma a conscientizar os portugueses, ao longo de janeiro, quem aceitar o desafio e aumentar a frequência de refeições vegetarianas receberá “e-mails informativos, receitas fáceis e saborosas, acesso a um grupo privado e informação profissional dada por uma equipa de nutrição” explica Elisa Ferreira. Estas dicas gratuitas ficam disponíveis online durante todo o ano, no site da campanha.

Alimentado por uma pressão crescente na luta pelas alterações climáticas, pelo bem-estar animal, e pela existência de cada vez mais alternativas vegetais disponíveis, o desafio mundial Veganuary deverá alcançar a meta dos dois milhões de inscritos. De acordo com os resultados de um inquérito online lançado pela própria organização, os recordes da edição de 2021 mantiveram-se para além de janeiro: seis meses depois de completarem o desafio de 31 dias, 82% dos participantes que não eram vegetarianos quando se inscreveram continuaram a reduzir o consumo de alimentos com origem animal. Destes, 30% mantêm uma dieta estritamente vegetal e registam um aumento de energia, melhor humor e melhorias na pele.

A Alimentação do Futuro: carne e filetes de robalo ‘in vitro’

Desde queijos feitos de frutos secos a hambúrgueres de proteína de ervilha que se aproximam muito do sabor da carne de vaca, existem mais de 15 mil produtos certificados com a V-Label, o selo da União Vegetariana Europeia em 27 países. Com o apoio de multinacionais do agro-negócio, a carne in vitro também é cada vez menos um produto experimental e cada vez mais uma realidade à prova em restaurantes inovadores (ainda caros, no entanto) e depois em larga escala, nas prateleiras dos supermercados. Em Portugal, uma equipa de cientistas do Instituto Superior Técnico (IST) ganhou uma bolsa para em dois anos criar filetes de robalo com uma impressora 3D, a partir de extratos de algas e células estaminais.

Pelo mundo, estima-se que se espalhem 76 startups focadas em conseguir atingir a textura, cheiro e suculência da carne e do peixe em laboratório, sem animais e matadouros, contabiliza o relatório de 2020 do Good Food Institute (organização sem fins lucrativos que procura proteínas alternativas). Os investidores também já lhe ganharam o gosto e à medida que a tecnologia avança e os preços diminuem, as vendas no sector poderão atingir 140 mil milhões de dólares até 2029, cerca de 10% do mercado mundial de carne, estima o Barclays.

 

Por agora, o Desafio Vegetariano cinge-se aos produtos que podem ser facilmente encontrados nas prateleiras de mercearias e supermercados.