//Conhece as cerejas portuguesas?

Conhece as cerejas portuguesas?

De Resende, da Cova da Beira IGP, de Penajóia, de S. Julião-Portalegre DOP e do Fundão.

As primeiras aparecem sempre com preços mais altos, mas depois há um período (curto), em que a quantidade faz baixar o valor a pagar. Trincar e sentir aquele doce húmido e vermelho dá uma sensação por vezes difícil de descrever.

As cerejas têm um baixo valor calórico e são ricas em vitamina A e compostos com ação antioxidante. Como não possuem quantidades excessivas de açúcar, devem ser consumidas, preferencialmente ao natural.
Devem ser conservadas em local fresco. No frigorífico, não devem ser lavadas nem tapadas e aguentam cerca de 1 a 2 semanas. Poderá optar por congelá-las, mas, neste caso, antes deverá lavá-las adequadamente e secá-las, podendo permanecer congeladas até 8 meses.

Estão um pouco por todo território de Portugal continental, embora mais a norte do Tejo e em regiões onde, pela importância económica que têm vindo a ganhar, são alvo de cuidados que muito contribuem para a contínua melhoria da sua qualidade.

O Portugal ‘cerejeiro’

De Resende, um pequeno concelho do norte do distrito de Viseu, saem normalmente as primeiras cerejas e há que afirme que nesta região se produz quase um quarto do total nacional.

No site ‘Produtos Tradicionais Portugueses’ da Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural são ‘apresentadas’ quatro referências para cerejas portuguesas:

Cereja da Cova da Beira IGP

Cultivadas na zona designada por Cova da Beira, nos concelhos de Fundão, Covilhã e Belmonte “apresenta um diâmetro entre 24 a 28 mm e pesa entre 7 gr e 10 gr cada. A cor varia dependendo da variedade, de um vermelho brilhante para vermelho escuro. O pedúnculo é longo, espesso e de cor verde clara. O fruto é compacto e muito doce.

A Cereja da Cova da Beira IGP é cultivada nesta zona desde o início do século XIX e foi a principal razão para o desenvolvimento da agricultura na região.

Este fruto teve uma importância económica crescente na região e ainda hoje na região, é costume oferecer um buquê de flor de cerejeira aos noivos em casamentos de primavera.

Cereja de Penajóia (freguesia portuguesa do concelho de Lamego)

Também conhecida por cereja do Douro “tem forma redonda cordiforme, com dimensão média de 24 mm e com um peso de 7 g. Fruto de cor vermelha, textura rígida e com alguma acidez.”

A cultura da cereja no Vale do Douro é ancestral, como testemunha um documento de 1531 em que Rui Fernandes, tratador das terras de el-rei D. João III, comunica a D. Fernando, bispo de Lamego, a existência de «… muitas e muy fermosas cereias que vem vender a esta cidade, as quais cereias começam em abril e acabam em setembro. As cerejas começam na Ribeira do Douro no mês de abril até maio; e acabado Maio, começam as desta cidade que é terra temperada, em meio e duram até todo o junho». É também muito antigo o ditado: «Que faz o teu pai em maio? Come cerejas ao borralho.»

Cereja de S. Julião – Portalegre DOP

Resultante do cruzamento da cerejeira brava (Prunus avium L.) com as variedades autóctones da zona de Portalegre, é uma cereja de cor preta, com acentuada pigmentação na polpa, bem visível ao corte e à mastigação, de sabor muito doce, forma redonda, pedúnculo comprido e com peso médio entre 5 a 8 gramas.

A área geográfica de produção está circunscrita aos concelhos de Marvão, Castelo de Vide e Portalegre.
Desde há muitos anos que as gentes de S. Mamede descobriram a facilidade de adaptação desta fruteira ao clima da zona. “O êxodo rural, o aumento do preço da mão-de-obra e a falta de compradores fizeram deteriorar-se e mesmo perder-se alguns pomares. No entanto, ainda é fácil encontrar exemplares com 30 e 40 anos que chegaram aos nossos dias e que continuam em produção.”

Cereja do Fundão IG

ACereja do Fundão que passou a contar, desde março passado, com Indicação Geográfica (IG) deve ter calibre igual ou superior a 24 mm;

A área geográfica de produção da “Cereja do Fundão” é circunscrita à totalidade do concelho do Fundão e às freguesias limítrofes a Sul, Louriçal do Campo e Lardosa (concelho de Castelo Branco), e a Norte às freguesias de Ferro e Peraboa (concelho de Covilhã).

A presença da cultura na região e a reputação da cereja aí produzida estão documentadas desde há séculos, mantendo-se ininterruptas até aos dias de hoje. Em 1915, em artigo publicado na revista Broteria – Série de vulgarização scientífica, refere-se que, apesar de serem produzidas cerejas um pouco por todo o país, “as de maior nomeada são quiçá as do Fundão”. Em 1987, a revista Beira Alta elogia no Fundão “a fruta carnuda e sumarenta de seus pomares ensoalhados, abençoados por Deus, onde a cereja é rainha incontestada”.