//Conheça quem faz: ‘O Forno’ Pastelaria e Padaria
O Forno pastelaria padaria

Conheça quem faz: ‘O Forno’ Pastelaria e Padaria

A história de dois irmãos, Carlos e Nuno Rodrigues, que nunca deixaram de acreditar na tradição, cultivando-a no seu dia-a-dia desde 1985.

Estivemos à conversa com Nuno Rodrigues, gerente da empresa, que respondeu desta forma às nossas questões:

Quem são as pessoas por de trás da empresa?

O Forno é uma empresa familiar. No início eramos três irmãos, a minha irmã depois acabou por sair e ficámos apenas eu e o meu irmão Carlos. Gerimos dois estabelecimentos: eu estou mais na parte da fábrica e faço a gestão da casa de Mafra e o meu irmão faz a gestão da casa da Malveira. Todas as decisões são tomadas em conjunto.

De que forma mantiveram a tradição no vosso negócio?

Na base dos nossos produtos estão ingredientes naturais, desde a farinha passando pelos ovos até ao açúcar. Muitas pastelarias vão ao vendedor e compram o produto já praticamente feito: compram o preparado de queque de noz, colocam no balde e é só mexer…. Nós não trabalhamos assim, fazemos o processo todo de preparação de cada produto e temos uma genuína preocupação com a origem dos ingredientes e com o processo.

Além disso, as nossas receitas respeitam a tradição e os saberes da nossa gente. As queijadas açorianas, por exemplo, foi uma pessoa dos Açores que me trouxe a receita, a receita das queijadas alentejanas foi uma pessoa que foi ao Alentejo que me trouxe a receita e a mesma coisa para os pastéis de Beja.

 

Fale um pouco dos vossos produtos.

Todos os dias temos produtos diferentes, desde o pastel de castanha da Serra da Lousã, às queijadas açorianas ou as queijadas alentejanas. Além dos produtos da região de Mafra, trabalhamos receitas de outras regiões respeitando sempre a tradição, claro. 

O parrameiro, por exemplo, não sendo na realidade um bolo, é um pão doce, aromatizado, tipicamente tradicional, extensivo à chamada região saloia. Aqui na nossa zona, quando as pessoas se casavam e não tinham possibilidade de fazer uma festa, mandavam fazer no forno comunitário ou no forno da aldeia, uma fornada de bolos e essa fornada era distribuída pela aldeia. Era uma prenda que os noivos davam aos aldeões. E essas receitas aqui na zona mantiveram-se sempre. Por exemplo, para fazer estes bolos de casamento que eu tenho utilizei uma receita que a minha mãe e a sua prima faziam, que é uma receita já muito antiga.

 

Como vos chegam os clientes? 

Nós não temos publicidade praticamente em lado nenhum, a nossa publicidade é muito feita de boca em boca: a pessoa veio, gostou, volta a comprar e aconselha. Nós desde 1985 que estamos na Malveira e vai fazer 20 anos que estamos em Mafra e tem sido sempre assim.

 

Qual tem sido o vosso principal desafio?

O nosso maior desafio é mantermos a tradição e sermos confrontados por clientes que nos perguntam porque é que nós não temos aquele produto x da forma como eles estão habituados a ver noutras pastelarias. O que eu lhes explico muitas vezes é que nós trabalhamos de outra forma, porque comprar o produto já praticamente feito, colocá-lo num balde e mexer é muito fácil, mas o que me dá imenso prazer   é sair de casa às quatro horas da manhã, agarrar numa saca de farinha, no açúcar, na margarina e fazer o processo todo de preparação de A a Z e no final do dia ver o cliente no meu balcão satisfeito com a autenticidade do sabor do meu produto.

 

Para nos deixar com água na boca, que outros produtos sugerem? 

Eu sugeria o pastel de castanha. Comecei a fazer este pastel para levar para o Festival do Pão, mas também poderia sugerir os parrameiros de Mafra, o pastel conventual de Beja ou as trouxas de doce de ovos, que na Malveira são o nosso ponto forte, são muito apreciadas.

 

Esta conversa teve lugar em janeiro de 2022 no seguimento da inclusão do produto Pastel de Feijão no cabaz de frescos do SmartFarmer, negócio social da Oikos – Cooperação e Desenvolvimento, cuja missão é valorizar o consumo de proximidade e dar a conhecer pequenos e médios produtores nacionais, ajudando-os a vender mais e melhor. Todas as semanas os cabazes de frescos do SmartFarmer incluem um produto regional designado ‘cabeça de cabaz’

Para conhecer e aderir ao cabaz ‘frescos da semana’, conheça aqui a composição e outras informações:

https://smartfarmer.pt/produto/cabaz-frescos-da-semana/