//Confrarias (IV): comunicar é preciso

Confrarias (IV): comunicar é preciso

A (não) comunicação é um dos maiores problemas da vida das confrarias.

Sim, é verdade que os problemas de comunicação não são mais acentuados e muito menos exclusivos das confrarias. Mas esta lacuna contribui muitíssimo para a dificuldade em alcançar os resultados pretendidos pelas organizações.

A comunicação interna poderia constituir uma excelente forma de motivação entre confrades. Apesar da média etária elevada, entre as várias opções das novas tecnologias da comunicação algumas poderão ser usadas com facilidade.
E agora, nos atuais tempos de pandemia, em que a socialização, uma dos mais importantes componentes do ‘estar à mesa’, exige contenção que chega a causar dor, comunicar pode ser um bálsamo.

Os SMS, semanalmente enviados por ‘emissores’ nomeados, podem cumprir função social, de amizade e ‘gastronómica’, mas sem dúvida que a utilização das redes sociais, principalmente o facebook pela sua popularidade e facilidade de utilização, constitui uma ferramenta com um enorme potencial para esse efeito.

Mas o que acontece em muitas páginas ou grupos das confrarias é, exatamente, o que não se deve fazer, com a ausência durante semanas e nalguns casos meses, de qualquer sinal de ‘vida’. Quem vai ‘lá’ uma vez e não encontra nada de novo talvez tente uma segunda, mas dificilmente o fará uma terceira vez.

Essa ausência de ‘vida’ proporciona aos confrades menos (ou nada) participativos, a hipótese de «redenção» do seu comportamento. Aos confrades de outras confrarias que ali procuram novidades, uma sensação de «desilusão» por não encontrarem exemplos que possam usar para motivar os seus pares. E a todos quantos, não integrando confrarias, se interessam pela atividade destas associações de defesa e promoção da gastronomia portuguesa, uma imagem de «morte» que, de todo, não reflete a realidade da maioria das confrarias.

Pior do que não estar ´lá’, é estar mas não ‘existir’.

Participar nas atividades (reais) promovidas pelas confrarias e marcar presença em capítulos pode ser difícil pelos mais variados motivos, mas há que reconhecer que é substancialmente mais fácil ‘postar’ uma foto e um comentário que recorde a presença num capítulo, uma receita, uma opinião sobre o que outros ‘postaram’ e, mais importante e aliciante, ‘despoletar’ debates e análises sobre o produto(s) ou pratos(s) que dão razão à existência da confraria.
O mesmo se poderá dizer de algumas tentativas de existência de sites que são, efetivamente, ainda mais trabalhosos e difíceis de manter.

Tendo em conta uma certa dificuldade em «recrutar» jovens para ‘andar em comezainas com os velhos’, talvez usando as ligações familiares e/ou outras, para lhes pedir ajuda naquilo que manifestamente dominam e gostam (as novas tecnologias), possamos ‘comunicar-lhes’ que a gastronomia tradicional, afina, é ‘altamente’.

Amílcar Malhó
Foto: Confraria Gastronómica de Palmela