//“Comprei castanhas online”

“Comprei castanhas online”

Confesso que senti alguma preocupação na expetativa do que receberia, mas valeu a pena.

Não sou um grande entusiasta das chamadas compras ‘na internet’, mas já tive mais de uma dezena de experiências e, ainda que a maioria tenha corrido bem, duas ou três deixaram-me com aquela sensação de “táva-se mesmo a ver”.
No caso de produtos alimentares as minhas desconfianças e consequentes cautelas são ainda maiores e, em termos gerais, ainda fico com alguns receios relativamente aos pagamentos por cartão de crédito. Mas a minha última compra online permitia, como já muitas outras, o pagamento através de cartão de débito, o chamado ‘multibanco’.

Após comprar mais de um kilo de castanhas numa média superfície, a 4,80 €/kg apanhei a desilusão de aproveitar menos de 50 gramas de todas as que foram a assar. A maioria porque a pele se recusava a ‘abandonar’ o fruto, o que poderá estar associado à variedade da castanha e outras porque estavam apodrecidas, o que é estranho se pensarmos que estamos no início da colheita.
Ao ver a notícia publicada no ‘Jornal dos Sabores’ (https://jornalsabores.com/sernacelhe-castanha-online-entregue-em-casa/) decidi, perante a desilusão da compra em supermercado, ‘arriscar’ a sugestão que se fazia no ‘meu’ jornal.

Comprei dois kilos de castanhas através da plataforma indicada (Dott), fiz o pagamento através do cartão de débito e aguardei quatro dias, com o percurso da encomenda a ser acompanhado por mensagens. O carteiro entregou-me a encomenda e a primeira surpresa veio com a abertura da embalagem. Frutos reluzentes, de bom calibre e consistentes, dentro de um bonito saco de pano. A acompanhar, uma pequena brochura com excelente grafismo e texto, fez-me ficar com uma enorme vontade de ir a Sernacelhe.
Paguei pouco mais de 10 € incluindo os portes (maior quantidade baixaria o preço unitário) mas tendo em conta que aproveitei todas, foi um excelente preço se comparado com o que havia pago antes.

Quanto ao produto, que foi afinal o motivo da compra, só vos posso dizer que espero ainda esta ‘temporada’ repetir a encomenda. Da variedade Martaínha, são muito saborosas e… após assadas, na brasa ou no forno, a pele ‘despedia-se’ do fruto sem hesitação, fazendo as delícias dos «castanhófilos» ansiosos por ‘recuperar’ da frustração anterior.
Ao que soube, cada uma das centenas (milhares) de encomendas que nestes dias saem de Sernancelhe tem origem num dos produtores integrados nesta iniciativa, o que responsabiliza cada um, pela imagem exterior do produto de todos. No meu caso, aprovado.

Esta foi a experiência que tive com a denominada ‘Terra da Castanha’ mas acredito que outras regiões que devido à pandemia tiveram que ‘reinventar’ o negócio regional, o resultado possa ser igualmente positivo.
E acredito também que está definitivamente aberto um novo canal de comercialização, pois ainda que nada substitua o prazer de visitar os certames dedicados aos nossos excelentes produtos regionais, ‘sempre que não possamos ir, mandamos vir’.

Amilcar Malhó