//Cientistas trabalham na ‘batata do futuro’
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Cientistas trabalham na ‘batata do futuro’

Botânicos estão a trabalhar no desenvolvimento de uma batata capaz de suportar condições ambientais mais duras.

Acredita-se que a batata tenha sido domesticada há pelo menos oito mil anos no atual Peru e mais tarde se tornou um alimento base de vários países europeus.

Atualmente é a quarta cultura alimentar mais cultivada a nível mundial, ficando apenas atrás do arroz, do milho e do trigo.

Apesar da sua importância na alimentação, a batata permanece vulnerável a condições ambientais adversas ao seu cultivo, como inundações ou stress térmico, que, com o impacto das alterações climáticas, se têm vindo a agravar e a manifestar com mais frequência, daí a pertinência de trabalhar numa batata que consiga resistir a estas adversidades.

O projeto ADAPT está a desenvolver novas estratégias para assegurar que a produtividade das culturas de batata se mantenha estável nas condições de cultivo do futuro.

“Algumas batatas são bastante tolerantes ao stress da seca, mas todas elas têm grandes problemas com o calor e as inundações”, diz Markus Teige, botânico da Universidade de Viena que lidera o projeto ADAPT.

Num inquérito realizado a mais de 500 produtores europeus, a seca e o calor foram identificados como as maiores repercussões das alterações climáticas, seguidos de pragas, doenças e chuvas fortes.

Os cientistas da ADAPT cultivaram cerca de 50 variedades de batatas em diferentes combinações de condições de stress em vários locais europeus. Paralelamente, têm realizado experiências em estufas, onde as variedades são cultivadas em condições controladas numa instalação de alta tecnologia na República Checa.

Estamos a pensar passar de alimentar 7 mil milhões de pessoas para entre 11 e 13 mil milhões nas próximas décadas” diz Dan Milbourne, investigador de batatas no Teagasc, na Irlanda.

“Vamos ter de duplicar a produção, sem aumentar a quantidade de terra que cultivamos, ao mesmo tempo que enfrentamos as alterações climáticas, que também podem esgotar as terras disponíveis para a agricultura”, acrescenta.

Aumentar a resiliência de culturas, como a batata, em situações extremas como altas temperaturas, pragas e doenças, e a redução da quantidade de pesticidas são parte da solução para colmatar a realidade que se avizinha.

 

Fonte: Horizon