//Chuva ajuda pesca da lampreia

Chuva ajuda pesca da lampreia

Ciclóstomo com preço de 30 a 40 euros num arranque que perspetiva “bom” ano de pesca no Alto Minho.

O presidente da Associação de Pescadores do rio Minho e do Mar revelou que “a muita chuva que caiu nos últimos meses ajudou a que a água doce entrasse no mar e obrigasse as lampreias a vir mais rapidamente para o rio, para a desova”, fazendo deste, um dos melhores janeiros de sempre”.

Recorde-se que a pesca da lampreia, que pode medir mais de um metro e pesar cerca de dois quilos, vai até 30 de abril e decorre na época em que a espécie volta a entrar nos rios, na direção da nascente, para cumprir a fase de reprodução.

Em declarações à agência Lusa Augusto Porto acredita numa boa ‘campanha’ e revela que, para já, na primeira venda, cada exemplar está a alcançar os 30 euros”.

Já o presidente da Associação de Pescadores do rio Lima, não foi tão efusivo quanto o seu colega do rio Minho, admitindo que o mês de janeiro começou melhor que em anos anteriores, “mas a quantidade ainda é muito reduzida”
Talvez por essa razão, Luís Ferreira revelou à Lusa que, por maré, estão a ser pescadas em média 10 a 12 lampreias com o preço em lota a rondar os 40 euros.

Lampreia: amada e ‘odiada’

Há quem percorra muitos quilómetros para se deliciar com uma lampreia de determinada região, mas há também quem torça o nariz ao ouvir falar de lampreia, quem não suporte o sabor ou quem, devido ao seu formato, tenha até dificuldade em olhar para este “peixe esquisito”.

Em Portugal, o arroz de lampreia, com uma confeção próxima da cabidela será, talvez, a forma de confeção mais consumida, logo seguida da bordalesa, um ‘guisado’ normalmente acompanhado de arroz, cuja origem será a região francesa de Bordéus. Há também quem a grelhe ou asse no espeto e quem a ‘defume’.

Existe desde o Atlântico Norte até ao Mediterrâneo e aos rios que nele desaguam. Em Portugal, nos rios Minho, Lima, Cávado, Mondego e Tejo.

As lampreias

Quando chega a época, sobem os rios e procuram um local onde a água seja fresca, arejada e de corrente rápida, com o fundo de cascalho e areia; macho e fêmea preparam o lugar, retirando as pedras até a areia ficar a descoberto e finalmente, podem acasalar. Após o ritual de acasalamento, e a postura dos ovos, é necessário protege-los da corrente e do ataque dos inimigos. Removem então a areia que se mistura com os ovos, e estes aderem uns aos outros através de uma substância pegajosa. Infelizmente, esta “história” não tem um final feliz, pois tudo indica que após a reprodução, o casal de ciclóstomos morre.

Não é só agora que este é considerado um “prato de luxo” pois já durante o Império Romano era ementa destinada aos Patrícios (classe mais alta da sociedade), e D. Luís, rei de França, mandava-as vir de Nantes em barricas cheias de água.

Foto Lampreia no interior: lampreia fumada