//Chefe Silva/’Operação Pirâmide’ – Biografia (21)

Chefe Silva/’Operação Pirâmide’ – Biografia (21)

Solidariedade foi palavra que se habituou a ‘praticar’. Quando sente que a sua popularidade pode contribuir para causas nobres, diz presente. Como foi o caso da inesquecível ‘Operação Pirâmide’, num episódio aqui recordado por;

Joaquim Meireles (Chefe de Pastelaria do Hotel Dom Henrique)

“Continuou a ser o nosso amigo António Silva”.

Joaquim Meireles esteve com o Chefe Silva no Hotel Praia Golfe em Espinho. Mais tarde voltou a estar com ele no Hotel Dom Henrique, no Porto, onde ainda trabalha.

Tempos depois da saída do Chefe Silva do Hotel da cidade Invicta, Joaquim estava a cumprir o serviço militar quando viu, exposta numa banca de jornais “a revista Teleculinária com uma foto do Chefe. Primeiro fiquei surpreendido, depois deu-me uma grande felicidade por ter trabalhado com ele”.

Encontraram-se algumas vezes e Joaquim recorda feliz que “apesar do sucesso e da fama, ele não se modificou. Continuou a ser o nosso amigo António Silva”.

Um amigo, mesmo de quem não conhecia e por isso, sempre pronto a colaborar com acções solidárias, como foi o caso da Operação Pirâmide.

A partir de uma ideia de Raul Solnado e Fialho Gouveia, a RTP fez, em 16 de Dezembro de 1978, das 10 da manhã às 3h da madrugada seguinte, uma emissão contínua denominada Operação Pirâmide.

Dezenas de artistas nacionais e estrangeiros desfilaram no palco da FIL, enquanto a população era convidada a deslocar-se ao local do espetáculo ou a centenas de outros locais por todo o país, para oferecer produtos e objetos que pudessem ser leiloados.

O objetivo – plenamente conseguido – era que ao longo das mais de 16 horas de emissão as ofertas fossem crescendo, qual pirâmide de solidariedade.

Do mais anónimo cidadão às mais conhecidas figuras do país, milhares de pessoas ofertaram coisas simples, dinheiro e objetos valiosos ou mesmo com alto valor afetivo como foi o caso do General Ramalho Eanes, na altura Presidente da República, que ofereceu o relógio, recordação de infância que lhe tinha sido dada pelo seu pai.

A forte ligação à cidade do Porto levou o Chefe Silva a deslocar-se de Lisboa para, naquela cidade nortenha, oferecer um vistoso bolo, em forma de pirâmide, com o objetivo de ser leiloado.

Depositou a obra pasteleira no Hotel Dom Henrique, seu ex-local de trabalho, para ser entregue no dia seguinte, como recorda Joaquim Meireles:

“Ele trouxe o bolo em forma de pirâmide, com uns bonecos ao lado com umas mãos, que cobriu com ovos moles e massapão por cima mas de noite, com a humidade, os ovos moles abateram. Foi uma confusão com ele a gritar: Temos que resolver isto, temos que resolver isto, hó Quim! E é claro que resolvemos, usando merengagem (tipo massa de suspiros)”.

Pouco importa quanto rendeu. Mas o bolo foi leiloado e contribuiu para fazer crescer aquela fantástica pirâmide.

Em Fevereiro de 1981 realizou-se na FIL o I Congresso Regional de Pasteleiros e Cozinheiros, um evento organizado pela Associação de Cozinheiros e Pasteleiros de Portugal, criada quatro anos antes por um grupo de fundadores entre os quais se contava o Chefe Silva.

Trinta anos depois, o reconhecimento da associação que ajudou a fundar, agora denominada;

Associação de Cozinheiros Profissionais de Portugal (ACPP)

…”vestir a ‘farda’ sempre com a dignidade que nos foi ensinada pelo Chef Silva.”

Falar do Chef Silva é fácil!

 Acima de tudo ele foi, e é, uma personagem da qual todos os profissionais de cozinha têm orgulho, pois que foi através do seu programa que a maioria de nós viu pela primeira vez uma jaleca. Sim, porque o Chef Silva sempre exibiu com muito orgulho a nossa “ farda”.

 Para a profissão ficou a marca, deixada em tantas receitas e em todos os programas televisivos em que participou, de um profissional dedicado e com uma visão de futuro acima dos seus pares, sem desprestigio para os seus companheiros, que no longínquo ano de 1975, tiveram a visão de criar a então, Associação de Cozinheiros e Pasteleiros de Portugal (ACPP).

 O que a Associação de Cozinheiros Profissionais de Portugal (ACPP)é hoje, muito fica a dever às bases iniciadas por ele e pelos restantes sócios fundadores; por isso podemos e devemos continuar a ter orgulho em exercer uma das mais belas profissões do mundo, com tradição e com futuro, hoje mais digna e reconhecida, por ações desenvolvidas então por profissionais como o Chefe Silva.

A direção da ACPP

Chefe Silva – Biografia, tem o patrocínio de:

Do valor dos patrocínios, 25% é atribuído à área de Formação da ACPP – Associação de Cozinheiro Profissionais de Portugal, de que o Chefe Silva foi um dos fundadores.

Pode consultar todos os capítulos já publicados em:

https://jornalsabores.com/category/gastronomia/chefe-silva/