//Chefe Silva e a Rádio – Biografia (14)

Chefe Silva e a Rádio – Biografia (14)

Júlio Isidro criou, propositadamente para ele, a rubrica de rádio ‘Caçarola Ideal’.

Foi convidado para a rádio comercial por Júlio Isidro com quem esteve 4 anos na “Grafonola Ideal”, um programa que contava com uma rubrica propositadamente criada para ele denominada, “Caçarola Ideal”.

Acompanhou o popular “criador” e apresentador também, no grande fenómeno radiofónico da época chamado “Febre de Sábado de Manhã”. Orgulhosamente vestido com a jaleca e o chapéu de cozinheiro, foi ele quem no palco da FIL, perante mais de 10 mil jovens, apresentou o bolo do primeiro aniversário do programa. E por entre os mais “agitados” grupos e artistas, contam os artigos jornalísticos da época que “a presença do Chefe Silva foi muito aplaudida”.
Com Júlio Isidro colaborou também, diversas vezes na televisão.

A Caçarola Ideal era um espaço dedicado à culinária no qual o Chefe preparava uma refeição em casa dos ouvintes, com intervenções regulares de Margarida Mercês de Melo. Mais tarde, na residência ou noutro local proposto por artistas que então se ouviam na rádio (e muitos ainda hoje) era Carlos Ribeiro quem fazia os apontamentos de reportagem em direto das “cozinhas”.

Entre muitos outros, esteve a cozinhar com Amália Rodrigues, Paco Bandeira, Roberto Leal, Cândida Branca Flor, Nuno da Câmara Pereira e Fernando Tordo. Este último recebeu a equipa do programa no “Cantador Mor”, um bar de que era proprietário situado, precisamente, no largo do Contador Mor, junto ao Castelo de S. Jorge em Lisboa.
As (poucas) mesas existentes, no lugar dos habituais números tinham nomes de artistas. O Chefe ficou triste, porque nenhuma ostentava o nome de Nat King Colle. Afirma que este sempre foi um dos seus artistas preferidos e para o provar, trauteia”quero chorar, não tenho lágrimas…”
O espaço era muito conhecido anteriormente como uma casa de bons petiscos denominada “Queijo e Vinho” mas com a gerência do artista, passou a servir, exclusivamente, uns bifes que faziam as delícias dos noctívagos. Só que, daquela vez, os bifes foram preparados durante a manhã e comidos ao almoço pois terminado o programa, a equipa de estúdio abandonou a Sampaio e Pina em direção ao Castelo, juntando-se aos que do exterior lhes aguçaram o apetite.

De resto, assim acontecia regularmente. Chegavam aos locais por volta das 10 da manhã, hora a que começava a emissão “e depois da uma, quando o programa terminava, quase sempre almoçávamos com os convidados e com os que vinham propositadamente do estúdio para saborear os cozinhados do Chefe”, recorda Carlos Ribeiro.

O Chefe recorda que a Senhora Dona Amália “marcou-me muito por ser uma pessoa divertida, alegre e com gosto pela vida. A Maluda estava sempre com ela. Fui algumas vezes lá a casa e também a encontrei algumas vezes no aeroporto”.
A fadista gostava muito do bacalhau mistério “que veio desenjoar o bacalhau com natas. Era parecido mas levava presunto, um refogadozinho, com um molho por cima”, esclarece o Chefe, aproveitando para esclarecer que “no bacalhau com natas nem sempre se tem em atenção que o creme deve ser feito, metade com natas e metade com a água de cozer o bacalhau. E o bacalhau deve cozer em pouca água”.

Foto: Rádio portátil Philips AE5220/12

Nota – Os textos aqui reproduzidos foram publicados em livro em 2008 pelo que poderão verificar-se ‘desatualizações’.

Chefe Silva – Biografia, tem o patrocínio de:

Do valor dos patrocínios, 25% é atribuído à área de Formação da ACPP – Associação de Cozinheiro Profissionais de Portugal, de que o Chefe Silva foi um dos fundadores.

Pode consultar todos os capítulos já publicados em:
https://jornalsabores.com/category/gastronomia/chefe-silva/