//Chefe Silva – Biografia (10)

Chefe Silva – Biografia (10)

A entrada na televisão e alguns dos muitos ‘episódios’ engraçados, que ‘passavam ao lado’ dos telespetadores.

A televisão
Com os novos tempos trazidos pela “revolução dos cravos” em 25 de Abril de 1974, vieram novas exigências por parte dos trabalhadores que até então se viam forçados a aceitar as condições existentes nos locais de trabalho, sem direito a protestar.
Na RTP Porto havia insatisfação com a qualidade das refeições e para ultrapassar o problema, foi solicitado o apoio da Escola de Hotelaria e Turismo do Porto que enviou o Chefe Silva para ajudar a encontrar soluções.

Melhorias de ordem funcional no que respeita aos equipamentos, adicionadas a métodos de gestão de pessoal mais actualizados e eficientes bem como uma grande capacidade de transformar magros orçamentos em saborosas refeições, constituíram a receita de sucesso do Chefe Silva, no Monte da Virgem.

Tendo em conta a satisfação dos comensais, as características de comunicador que já evidenciava, os conhecimentos adquiridos como Chefe de Cozinha ao longo de mais de 20 anos e o seu amor pela culinária tradicional portuguesa, foi convidado para um programa de televisão, o “Culinária 75”.

Maria de Lurdes Modesto foi a pioneira. Mas António da Silva seria o primeiro Chefe de Cozinha a fazer um programa de televisão em Portugal.
Estava-se em 1975, o ano em que Herman José se estreou com a rábula ‘Sr. Feliz e Sr. Contente’, ao lado de Nicolau Breyner, na RTP 1. Também em 1975, Duarte Mendes venceu o XII Grande Prémio TV da Canção com o tema “Madrugada”, com letra e música de José Luís Tinoco. E a 6 de Novembro desse mesmo ano, aconteceu o mais famoso debate da televisão portuguesa, opondo Mário Soares a Álvaro Cunhal, que aí celebrizaria a expressão “Olhe que não, olhe que não, doutor“.

1ª emissão do “Culinária 75”
Sorri, ao recordar a gravação do primeiro “Culinária 75” com o realizador Marques Vicente, “um grande amigo”. Terminada a gravação o Chefe pergunta: “Marques Vicente, ficou bom?” Resposta: “Ficou, mas temos que repetir, porque este excedeu”.
Ao contrário do que acontece com toda a naturalidade hoje, o programa não seria “montado” ou seja, não passaria pelo processo de escolha de imagens. Teria, portanto, que ser gravado, exatamente com o tempo que se pretendia. E assim se fez.

Desde a primeira gravação assumiu uma postura descontraída, que alguns consideram mesmo, quase ingénua “e acho que por isso correu melhor”, comenta o Chefe.
Essa forma simples e descontraída depressa conquistou os telespectadores. Em boa verdade, conquistou essencialmente as telespectadoras, que de imediato, na ausência de mails e mensagens de telemóvel, passaram a contribuir entusiasticamente para os cofres dos Correios enviando milhares de cartas e postais.

“Não escrevam mais para cá”
A sua primeira intervenção televisiva regular permitiu perceber que estava a nascer uma “vedeta” pois como conta “um dia, quando cheguei, deram-me um papelinho para ler que dizia: por favor não escrevam mais para cá”. A avalanche de cartas era tal, que não existiam condições para a sua leitura e muito menos para responder.

Voltou a participar regularmente noutros programas, como o “Às Dez” também na RTP1 e conta com participações pontuais em muitos outros.

Na “ Praça da Alegria”, com o Manuel Luís Goucha, e a Sónia Araújo, a convite de Luísa Calado, esteve cerca de oito anos. Ele e outros Chefes, garantindo cada um deles, diariamente, a presença da culinária no programa.

Gravava num dia quatro ou cinco programas para emitir uma vez por semana, durante um mês. A quantidade de comida confeccionada permitia a realização de verdadeiros “banquetes”, ao final do dia, com todos os colaboradores.

O tomate que não era tomate
Uma vez, gostou muito de uma sopa de amêijoas em Alcácer do Sal e resolveu levá-la para a televisão, mencionando o local e origem, como normalmente fazia, o que o tornava ainda mais popular junto das populações dos locais referidos.
A sopa levava tomate mas “ como a minha mulher se esqueceu de levar tomate pedi à cantina, que emprestou um, mas era meio verde, para salada”. Na impossibilidade de usar o fruto, porque estava verde, “polvilhei com o que parecia colorau”.
No final do dia, como habitualmente, os colaboradores prepararam-se para, mais uma vez, anteciparem o jantar com o resultado das demonstrações televisivas.
“Perguntei se estava bom e responderam-me que eu devia estar a brincar. Porquê? Então você pôs tanto picante que não se consegue comer”. Aquilo que o Chefe pensara ser colorau era, afinal, pimenta de caiena (malagueta em pó).

A noz moscada que não era noz moscada
Outra vez, era necessária a utilização de noz moscada, que não existia nem havia tempo para adquirir fora das instalações da RTP Porto.
Com a capacidade de improviso que sempre lhe foi reconhecida, “esfarelei, muito bem esfarelada uma rolha de cortiça e resolvi o problema”.

No Natal de 2004 foi júri de um concurso de bolos-rei das Regiões de Turismo, no programa Portugal no Coração. Na sequência dessa colaboração, veio a integrar a equipa do programa, do início de 2005 a finais do ano seguinte, como anfitrião de Confrarias Gastronómicas e muitos outros convidados relacionados com a gastronomia.

Como figura pública, e entre as muitas participações em programas de televisão ao longo destes mais de 30 anos refira-se o concurso Retrato de Família em que, como não podia deixar de ser, alinhou pela Família Silva.
Recorda com saudade “a Ivone Silva e o Varela Silva” numa jornada televisiva em que participaram igualmente, ao seu lado, “o Mário Silva e a Josefina Silva”.

Gravou também para a BBC e para a TDM (Televisão de Macau).

(Nota – Os textos aqui reproduzidos foram publicados em livro em 2008 pelo que poderão verificar-se ‘desatualizações’)

Chefe Silva – Biografia, tem o patrocínio de:

Do valor dos patrocínios, 25% é atribuído à área de Formação da ACPP – Associação de Cozinheiro Profissionais de Portugal, de que o Chefe Silva foi um dos fundadores.

Nota – Pode consultar todos os capítulos já publicados em:
https://jornalsabores.com/category/gastronomia/chefe-silva/