//Carne artificial de frango

Carne artificial de frango

Em Singapura já foi aprovada a ‘carne que não é carne’ e há um português no projeto.

Agora que as autoridades daquele país aprovaram a proposta, a carne artificial de frango pode vir a ser apresentada brevemente num restaurante de Singapura. A novidade foi comunicada pela empresa norte-americana ‘Eat Just’, que acrescentou que o novo produto, ao que parece com aspeto semelhante ao da carne picada, será usado em nuggets de frango.

Um dos argumentos da empresa é a previsão de aumento do consumo de carne no mundo, que deverá ser da ordem dos 70% até 2050, “com as consequências que daí poderão vir para as alterações climáticas”, referem, acrescentando que a carne artificial pretende ser uma resposta para este problema.

A ‘Eat Just’ reconhece que “este frango de laboratório será um produto de luxo nos próximos anos”, mas acredita ser possível vir a conseguir um preço mais baixo do que o frango clássico dentro de poucos anos, o que poderá ser mesmo uma realidade se tivermos em conta que existem já dezenas de empresas em todo o mundo com adiantados projetos de produção de carne artificial, até agora em fase experimental.

 

Imagem de carne de frango (verdadeira)

O português Vitor Espírito Santo

Embora tudo isto possa parecer complicado para o comum dos mortais, trata-se de carne de frango cultivada, obtida de “células do animal a partir de uma biopsia e com recurso a um biorreator onde as células vão crescer e dividir-se”. E quem explica isto é o português Vitor Espírito Santo, nascido em Braga e que integrou a primeira vaga de engenheiros Biomédicos formados na Universidade do Minho, em 2007.

Numa entrevista publicada em junho no site da Ordem dos Engenheiros, Vítor Espirito Santo revela que “um dos nossos objetivos deste projeto é a alteração dos métodos de produção de carne, substituindo a produção intensificada de animais que apresenta tremendas questões éticas, ambientais e de segurança alimentar (revelando-se também altamente ineficiente) por uma tecnologia que nos permitirá produzir carne de qualidade semelhante utilizando métodos menos agressivos para o ambiente e que não envolvem o abate de milhões de animais por ano”.

Vítor Espírito Santo, que é agora diretor do Departamento de Agricultura Celular da ‘Eat Just’ declarou já ter provado e que, “efetivamente, cheiram e sabem a frango”.

Será que este engenheiro biomédico, sendo um minhoto, se atreverá algum dia a preparar uma cabidela de frango e chamar-lhe ‘Pica no Chão’ como é tradição no Minho?

Fotos:
Capa: nuggets de frango e cabidela de frango (verdadeiros)
Interior: carne de frango (verdadeira)