//Caldo Verde à Minhota
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Caldo Verde à Minhota

Alimento de todos os dias, que não cansa, nem enfastia.

No norte do país, em especial no Minho, o predomínio dos vegetais na alimentação está relacionado com a atividade agrícola doméstica do cultivo de pequenas hortas e quintais.

De entre os vários legumes, destaca-se a couve portuguesa, também denominada galega, principal componente do Caldo Verde. Sendo um prato muito característico da região minhota, rapidamente ganhou foros de alforria e expandiu-se por todo o país.

É a sopa dos pobres, remediados e ricos, confecionada com couves e batata. É o alimento de todos os dias, que não cansa, nem enfastia e sabe sempre bem. Como diz Brillat-Savarin “a sopa é a consolação primeira de um estômago necessitado”.

Um Caldo Verde, numa noite fria de inverno, é um consolo! E quantas vezes, não terá sido a única refeição, quando a carne e o peixe escasseavam e só se podiam comer ao domingo ou em dia de festa. Servido em tigelas ou malgas de barro, características da zona, acompanhado com broa de milho ou pão de centeio, não pode faltar a rodela de salpicão, enriquecendo o sabor delicioso do Caldo Verde.

É importante referenciar aqui a função da loiça de barro, hoje considerada como um elemento decorativo e utilizado em festas populares, há um século atrás era utilizada para tudo – assar, marinar, salgar. As porcelanas, demasiado dispendiosas, não existiam nas casas dos menos abastados e a louça de barro permitia a conservação dos alimentos sem perder uma pitada do seu gosto. Com efeito, o paladar do Caldo Verde na tigela de barro, é único!

 

Ingredientes para 10 pessoas

1,500kg de batatas; 200grs de cebola; 2lts de água; 150 grs de chouriço ou salpicão; 500 grs de couve galega; 1dl de azeite; q.b. de sal.

 

Preparação

Descascar. Lavar e cortar as batatas e as cebolas em cubos. Introduzir na panela, em 2 litros de água, as batatas e as cebolas. Adicionar o chouriço e o azeite e levar ao lume a cozer. Retirar o chouriço, cortar às rodelas e reservar. Retirar as batatas e as cebolas quando cozidas e passar pelo passe-vite. Levar ao lume o puré obtido e deixar ferver. Lavar e cortar a couve bem fina (corte caldo verde). Escorrer bem as couves, adicionar ao puré a ferver e temperar com sal. Deixar ferver 3 a 4 minutos, com a panela destapada para que as couves fiquem verdes. Retirar do lume empratar em tigelas com uma rodela de chouriço e um pouco de azeite crú. Mexer bem e servir.

Sugestão: há quem acompanhe esta sopa com fatias de broa.

 

Valor Nutricional

Valor calórico total da receita: 2,800kcal

Distribuição da composição nutricional: 12% proteína; 49% lípidos; 39% hidratos de carbono.

Valor calórico por pessoa: 280 calorias

 

In: A Cultura Gastronómica em Portugal – Edição do Centro de Formação Profissional do Setor Alimentar

 

Considerações Gerais:

A couve galega é rica em sais minerais (cálcio, ferro, enxofre e cobre) e vitaminas (A, B1, B2 e C), que ajudam na formação dos ossos, dentes e sangue, mantendo o vigor normal do sistema nervoso e assegurando o equilíbrio interno do organismo.

 

Transcrição integral da receita publicada em ‘A Cultura Gastronómica em Portugal’, editada em 1995 pelo Centro de Formação Profissional do Setor Alimentar (CFPSA).
Os 10 volumes foram dedicados às regiões: Minho e Douro Litoral – Trás-os-Montes – Beira Litoral – Beira Interior – Ribatejo – Estremadura – Alentejo – Algarve – Açores – Madeira