//Caldeirada (5) – ‘À Nazarena’

Caldeirada (5) – ‘À Nazarena’

Nesta proposta, destaca-se a originalidade do toque de vinagre, no final.

Na série de cinco propostas de caldeirada de peixe de que apresentamos agora a última, entre as dezenas que seria possível publicar, têm sido evidentes algumas diferenças quer nos ingredientes, que até na ‘abordagem’ regional das receitas.

Esta caldeirada nazarena é apenas uma de várias confeções que ali se praticam, seja porque incluem pequenas ‘adaptações’ recentes, ou porque quem a recebeu de forma oral há já muito tempo, a passou para papel com alterações propositadas ou não.
Nesta receita destaca-se a objetividade das espécies de peixe propostas, levando a crer que se trata de versão de um tempo em que é possível «arranjar» exatamente o peixe que se pretende, independentemente de ele ter vindo, ou não, à rede.

De qualquer forma, tem algumas particularidades interessantes como a inclusão de amêijoas, vinho branco e o toque de vinagre no final.

A Caldeirada de Peixe é um dos pratos típicos mais apreciados em Portugal, por ser rico em sabores intensos graças aos magníficos peixes e aos temperos que a compõem. Existem muitas variações na confeção de caldeiradas, consoante a região que as prepara, mas as mais apreciadas são as dos fragateiros e as dos pescadores. A característica comum é o facto de ser um prato preparado com uma grande variedade de ingredientes. A maioria das zonas piscatórias portuguesas tem uma receita de caldeirada ‘à sua moda’: normalmente, a principal diferença está nas espécies de peixe, na opção de refogar ou não, ou ainda na inclusão de vinho, água, ou simplesmente deixar cozer nos sucos dos ingredientes. No caso desta Caldeirada à Nazarena, para além de algumas destas diferenças em relação a outras, destaca-se a originalidade do toque de vinagre, no final.

 

Receita de Caldeirada à Nazarena

Ingredientes
500 g de tamboril; 500 g de safio da parte da barriga; 500 g de raia; 500 g de ruivo; 12 amêijoas sem casca; 5 cebolas grandes; 5 dentes de alho; 12 tomates pequenos; 1,5 dl de azeite;1 ramo de salsa; 0,5 l de vinho branco; 1 kg de batatas; 1 folha de louro; 1 colher de sopa de vinagre; piripiri q.b.; sal e pimenta q.b.

Preparação
Para dentro de um tacho, deitam-se as cebolas às rodelas, o tomate aos bocados – sem peles nem sementes – e os dentes de alho picados. Junta-se o azeite, a salsa e o louro. Tempera-se com sal, pimenta e piripiri. Leva-se a ferver em lume brando durante cerca de um quarto de hora. Depois, acrescenta-se o vinho branco e as batatas cortadas às rodelas e volta a ferver um bocado, até as batatas estarem meio cozidas. Misturam-se os peixes limpos e cortados às postas, polvilha-se com um pouco de sal, em cima, põem-se as amêijoas e tapa-se o tacho com a tampa. Deixa-se ferver cerca de dez minutos. Finalmente, deita-se por cima uma colher de sopa de vinagre e agita-se o tacho para o envolver no cozinhado.

Harmonização sugerida pela CVR Lisboa
Recomenda-se um vinho branco loteado com duas castas muito populares na Região Lisboa, Arinto e Sauvignon, acídulo, fresco e com grande capacidade de realçar a comida. Este vinho tem a acidez certa para a caldeirada e, sem diminuir em nada o gosto e os sabores dos peixes, consegue equilibrar o vinagre usado na sua confeção.

IN: Livro ‘Os Sabores da Nossa Terra’ – LEADEROESTE – Associação para o Desenvolvimento e Promoção Rural do Oeste.