//Cabrito com grelos à moda da Azinhaga

Cabrito com grelos à moda da Azinhaga

Na freguesia da Azinhaga, do concelho da Golegã, nas margens do rio Almonda.

Apesar de ser uma região cuja tradição gastronómica se baseia fundamentalmente nas carnes de suíno e de bovino, o Ribatejo também tem no seu receituário pratos em que o ingrediente principal é o cabrito, testemunho da diversidade gastronómica de uma região de contrastes. Como noutras zonas de características rurais, a origem dos pratos atualmente típicos deriva do aproveitamento dos recursos existentes. E o gado caprino, pouco exigente em termos de alimentação, preenchia as necessidades de famílias de poucas posses. Um pequeno rebanho podia facilmente contribuir, com pouca despesa e pouco trabalho, para o sustento familiar, fornecendo carne para os dias festivos.
O cabrito deve ser abatido com pouco mais de um mês de vida e sempre alimentado com leite materno. Tem por isso, uma carne extremamente tenra e rosada. Na freguesia da Azinhaga, do concelho da Golegã, nas margens do rio Almonda, prepara-se uma receita excelente em que o cabrito é confecionado em tacho de barro e acompanhado com grelos cozidos, regados com o molho em que foi cozinhado o animal.

Ingredientes
0,5 kg de cabrito, 100 g de toucinho alto, 0,5 dl de azeite, cebolas, 3 dentes de alho, margarina, 4 toma¬tes grandes, vinho branco, 1 molho de grelos, salsa, louro, piri-piri, vinagre de vinho e pão torrado.

Preparação
Numa caçarola com meio decilitro de azeite, deitam-se rodelas fartas de cebola, o toucinho picado, os dentes de alho bem pisados, um ramo de salsa e uma folha de louro. Refoga-se. Já da cor do trigo maduro, acrescenta-se um decilitro de vinho branco, meio pacote de margarina, dos pequenos, pimenta e sal q.b., piri-piri a gosto, os tomates pelados, sem sementes e partidos aos quartos. Apura um pouco e junta-se o cabrito partido aos pedaços. Ao mesmo tempo, cozem-se à parte, em água e sal, os grelos que, depois de cozidos e escorridos, levam uma concha de molho do cabrito, uma colher de sopa de margarina e um pouquinho de vinagre de vinho. Envolve-se tudo e dispõe-se à volta de uma travessa, que já tem no fundo retângulos de pão alvo torrado. Coloca-se, por cima, a carne do cabrito, que vai ser regada com o molho a ferver, já passado por um passador e temperado com umas gotas de limão.

Harmonização sugerida pela CVR Tejo
Acompanhe o Cabrito com Grelos à moda da Azinhaga com um vinho tinto da Região Tejo das castas Touriga Nacional, Aragonês ou Syrah, com uma concentrada acidez das uvas.

Golegã
É assim todos os anos: as ruas enchem-se de gente, de amazonas de jaquetas bordadas, de cavaleiros com mazzantinis à banda, o ar satura-se com o aroma das castanhas assadas e, nas casetas que se erguem no Largo do Arneiro, criadores e convida¬dos brindam com água-pé à beleza e à aptidão do Lusitano. Estamos em Novembro, por alturas do São Martinho, na Feira Nacional do Cavalo. Aqui celebra-se a atividade equestre em geral e o Puro-sangue Lusitano, o mais antigo cavalo de sela do mundo, em particular, numa tradição que remonta ao século XVIII, ao tempo do Marquês de Pombal. Já nessa altura, esta feira, na Golegã, era um importante polo de atração para os melhores criadores de cavalos. No século XIX, instalaram-se nas cercanias da vila grandes lavradores que ajudaram a desenvolver o potencial agrário do território. Alguns deles, tal como Carlos Relvas, Ruy d’Andrade na quinta da Cardiga, e Rafael José da Cunha, na Quinta da Broa, entraram para a história pelo seu importante legado. Herdeiro de Rafael José da Cunha, Manuel Tavares Veiga dedicou-se com rigor e minúcia ao apuramento da raça portuguesa e juntamente com Ruy d’Andrade e com o filho deste, Fernando Sommer d’Andrade, desenvolveram as duas correntes de sangue mais importantes dos Lusitanos: a Andrade e a Veiga. Assim, não é de estranhar que, pela sua história e cultura, a Golegã tenha ganho o estatuto de “Capital do Cavalo”. Mas se a tradição e os desportos equestres dominam o concelho, os campos da Golegã, pontilhados de milharais, searas e olivedos, também não são esquecidos. Estas são terras fecundas que anualmente se transformam em alimento.