//Broinhas de Alcanena

Broinhas de Alcanena

Na confeção a tradição manda que se utilize o mel da Serra D’Aire, com o seu sabor particular.

A atividade agrícola, apesar dos solos pouco férteis, onde predominam os olivais, os frutos secos, alguns cereais e culturas forrageiras, assume relevante importância social no concelho de Alcanena, sobretudo por constituir um complemento ao rendimento familiar. A produção de mel é também uma prática tradicional bem enraizada, com uma história antiga e particularidades que o distinguem. A vegetação apícola característica desta sub-região é constituída por uma diversidade florística das serras e das matas, onde abunda o cheiro a alecrim, a tomilho, a rosmaninho, a eucalipto, o que imprime a este mel um paladar, uma textura e uma cor característicos.
São os produtos que a terra dá que vão determinar a gastronomia da região. Por isso, a doçaria lança mão do mel e dos frutos secos que, manuseados e combinados de formas diferentes, dão origem a manjares diferentes. É o caso das Broinhas de Alcanena, para cuja confeção a tradição manda que se utilize o mel da Serra D’Aire, com o seu sabor particular. Antigamente, só eram feitas pelo Natal e pelos Santos, para dar às crianças que, de saco na mão, batiam às portas a pedir ‘Pão por Deus’. Hoje, por força da procura, são confecionadas ao longo de todo o ano, embora em menores quantidades do que nas épocas festivas.

Ingredientes
0,5 kg de farinha; 0,3 kg de açúcar; 2,5 dl de azeite; 3 colheres de sopa de mel; 200 g de nozes picadas grossas; 20 g de canela; 10 g de erva-doce; 0,5 l de água.

Preparação
Junta-se tudo num tacho, exceto a farinha, e levan¬do-se ao lume até ferver durante cerca de 5 minutos. Acrescenta-se a farinha e volta a ir ao lume a cozer até se despegar, o que significa que a massa está pronta. Distribui-se a massa em montinhos, a que se dá o feitio de broas a estreitarem nas pontas, que vão ao forno e, depois de cozidas, ainda quentes, envol¬vem-se em açúcar.

Harmonização
Estas Broinhas de Alcanena são ideais para ser comidas em qualquer altura do dia. Mas, se optar por finalizar uma refeição na sua companhia, pode acompanhá-las com um dos vinhos generosos da Região Tejo.

Alcanena
Desconfia-se que se deve aos mouros os primeiros indícios de trabalhos de curtimentos de pele nesta zona; certo é que, nos finais do Século XVIII, este já era um ofício relevante numa comunidade economi¬camente viva. Data de 1792 o alvará de D. Maria I a Manuel Francisco Galveias para o assentamento, em Alcanena, da Fábrica de Sola, Atanados e Bezerros, a segunda instalação industrial do género no País. O brasão real que assinala a licença régia resistiu ao tempo, e é hoje uma testemunha em pedra do valor que esta atividade já detinha nessa época. Sabe-se que a indústria de curtumes foi prosperando ao lon¬go de oitocentos anos. Em 1867, contavam-se na fre¬guesia 472 fogos, o dobro do número existente cem anos antes. A afluência e a fixação de operários foi crescendo à medida que o investimento em unidades fabris ia aumentando, e essa cada vez maior afluên¬cia de trabalhadores foi deixando marcas nos usos e nos costumes regionais. A gastronomia também foi influenciada por estes homens que, por serem de uma classe mais remediada, sempre souberam tirar o melhor partido dos recursos que tinham à mão

IN: ‘Os Sabores da Nossa Terra’ – ADIRN – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Norte