//O borrego e os folares

O borrego e os folares

O borrego (cordeiro) ou anho e os folares estão na primeira linha das tradições de comeres na Páscoa portuguesa.

Para os cristãos Páscoa é a comemoração da Ressureição de Cristo. Com origem no hebraico Peseach, a Páscoa começou por ser uma festa judia e significa passagem ou transição.

Borrego (cordeiro)

Embora não seja consensual, a versão mais conhecida para justificar a tradição de comer borrego remete-nos para o facto de cordeiro (borrego) simbolizar Cristo, filho e ‘cordeiro de Deus’, sacrificado em prol do rebanho (humanidade).

Na Igreja Católica a principal restrição alimentar – que ainda mantém alguma atualidade – acontece num período específico: a quaresma – período de 40 dias após o Carnaval. Com tão prolongada restrição alimentar, é normal que as refeições do domingo de Páscoa sejam «fartas» de carne.

O cordeiro, ou borrego, está associado sobretudo ao Alentejo onde, na segunda-feira de Páscoa se comia o borrego no campo e ainda há zonas onde a tradição de repete confecionado em ensopado ou no forno.

Mas também o encontramos no norte, nomeadamente no Minho e na zona do Porto, onde é mais conhecido por anho, animal jovem, que não deverá ter mais de 10 Kg de peso. O anho com arroz de forno é uma das principais especialidades. No norte, em algumas regiões, o cabrito substitui o borrego.

Os folares

Ernesto Veiga de Oliveira, etnólogo que viveu entre 1910 e 1990 descreve a Páscoa em Portugal como “uma época caraterística de presentes cerimoniais, nomeadamente de natureza alimentar”.

É fácil perceber que não se referia aos ‘ovinhos ou coelhinhos de chocolate’, nem às amêndoas de açúcar. Eram – em certas regiões ainda são – os folares, que podem ser descritos de forma simples como um bolo de massa, com ovos cozidos inteiros em cima, como refere o ‘Grande Dicionário da Língua Portuguesa’ de José Pedro Machado.

Sempre foram muitas as versões de folares, mas nos últimos anos às genuínas versões acrescentaram-se outras mais comerciais ‘sem pai nem mãe’.

O livro ‘Festas e Comeres do Povo Português’ de Maria de Lourdes Modesto e Afonso Praça (fotografia de Nuno Calvet) apresenta variados tipos e receitas de folares, mas também de bolos, bolas e arrufadas.

Normalmente são feitos com farinha de trigo, doces ou não, com muitos ovos ou mesmo nenhum. Nas gorduras podem entrar azeite, manteiga, as duas, ou pingue (banha).

No que respeita ao formato conhecem-se mais os redondos mas podem ser ovais ou retangulares.