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vinho em latas

Boom de Vinho em latas no mercado mundial

Há cada vez mais marcas portuguesas a apostar no vinho em lata e as razões são várias.

As mais mencionadas parecem ser chegar a clientes mais jovens e novas ocasiões de consumo, designadamente ao ar livre, onde as garrafas de vidro são proibidas.

O vinho acondicionado em latas está em plena expansão no mercado mundial.  O seu sucesso em alguns dos mais importantes mercados globais como os EUA, Reino Unido e Austrália e os novos hábitos de consumo induzidos pela pandemia fizeram crescer este formato alternativo, especialmente entre os consumidores mais jovens que parecem ser os que mais apreciam os aspetos práticos e ecológicos deste tipo de embalagem. De acordo com estimativas divulgadas em meados de 2020 pela Grand View Research, uma empresa de pesquisa e análise de mercado sediada em São Francisco, Califórnia, até 2027 o volume global de vinho em latas excederá os 155 milhões de dólares, com uma taxa de crescimento anual composta de 10,4%. O vinho espumante é o tipo mais popular, com 60% da quota de volume e estimativas futuras a preverem uma relação estável em comparação com os tipos de vinho tranquilo. Acredita-se que serão a facilidade de transporte, a maior resistência dos recipientes em alumínio em comparação com o vidro, o aumento esperado das atividades ao ar livre, a compra por parte dos millennials e pela população em idade ativa na Internet a impulsionar este crescimento.

vinho em latas

Em alguns países, esta novidade gera ainda uma dicotomia no mercado interno, surgindo a questão: Num contexto em que a necessidade de relançar a economia do vinho deve andar de braço dado com estratégias maduras capazes de explorar todas as oportunidades, será esta uma oportunidade a não deixar escapar ou devemos continuar a cultivar uma tradição profundamente enraizada, resultado de uma herança cultural que vê a garrafa como um porto seguro sobre o qual estabelecer estratégias de crescimento em nome da qualidade?

O que é certo é que o incrível sucesso deste formato de bebida “on-the-go” abre caminho para apelativas oportunidades de investimento, que considerando as profundas mudanças induzidas pela pandemia nos hábitos de consumo, o impulso decisivo para uma abordagem mais fácil, barata e ecológica chamou a atenção de muitos. Alguns produtores históricos, os pioneiros do vinho em latas, as novas start-ups e agora até mesmo os distribuidores, acreditam neste formato.

vinho em latas gazela

Vinho em latas em Portugal: um nicho em expansão

Em Portugal, um mercado mais conservador no que diz respeito ao vinho, a inovação ainda causa alguma estranheza, mas há cada vez mais marcas a apostar neste segmento. Desde julho de 2016, quando a PositiveWine, da Bairrada, colocou no mercado o Flutt, o primeiro vinho espumante nacional em lata, que as empresas portuguesas olham com curiosidade para este segmento. Contudo, foi com o anúncio do lançamento dos vinhos Gatão e Gazela neste novo formato, que a maioria dos consumidores portugueses se apercebeu de que este novo produto estava a preparar-se para conquistar terreno. O Gatão em lata esteve ano e meio a ser preparado e surgiu a partir do “pedido expresso” de um cliente do mercado internacional. Mas há muitos produtores que já lançaram ou estão para lançar as suas marcas em lata, à conquista dos millennials. Segundo Gil Frias, diretor comercial do grupo JMV, que detém os Vinhos Borges, “houve uma receptividade muito acima do esperado” num mercado “convencional e ortodoxo” como o português.

vinho em lata gatão

Uma bebida fresca com baixo teor de álcool, numa embalagem mais fácil de refrescar, de transportar e de abrir são as qualidades que este novo produto apresenta para cativar os consumidores mais jovens. Gil Frias, explicou ainda que “o Gatão em lata é a síntese que o consumidor jovem de vinho procura nos dias de hoje: ambiente, funcionalidade e consumo ao ar livre. Estamos a ir ao encontro das novas gerações, trazendo novos consumidores ao vinho”. O Grupo JMV sublinha ainda o facto de o alumínio ter uma taxa de reciclagem superior ao vidro.

 

 

imagens: boacamaboamesa.expresso.pt