//Bolo dos Generais

Bolo dos Generais

A história e os ingredientes deste bolo com origem no Bombarral, na região Oeste.

O general Jean-Andoche Junot, ao comando das tropas gaulesas, cruzou a fronteira portuguesa a 20 de novembro de 1807. A fraca resistência que as hostes inva¬soras encontraram no terreno, permitiu que Lisboa caísse dez dias mais tarde.
No início de Agosto de 1808 as tropas inglesas, chefiadas por Sir Arthur Wellesley, futuro duque de Wellington, desembarcaram na Figueira da Foz para, juntamente com a resistência portuguesa, fazer frente às forças ocupantes. Informado do de¬sembarque, Junot enviou o General Delaborde para impedir o avanço inimigo. O corpo expedicionário de Wellesley rumou para Sul e, no dia 16 de Agosto, perto da povoação da Roliça foram avistadas as primeiras tropas francesas.

Para preparar o confronto que se antevia, nesse dia o General Sir Arthur Wellesley comandante do exército luso-britânico, reuniu com os oficiais Generais que compunham o comando estratégico das forças aliadas, numas instalações agrícolas cedidas, para o efeito, pelos proprietários. Pediu então à sua anfitriã que lhe confecionasse o seu bolo preferido. Consta que o General, ao provar o bolo, terá exclamado que era o mais saboroso que jamais havia provado. Tal elogio deve-se, certamente, ao facto de os ingredien¬tes serem produzidos nesta região do Bombarral, Oeste de Portugal, cujo microclima específico influi nas suas características, tornando-os únicos.

A Casa Agrícola J. Nicolau, à qual, há muitos anos, foi confiada esta receita por um descendente direto dos proprietários das instalações onde decorreu a célebre reunião, situadas perto da povoação da Roliça, tenta reproduzir artesanalmente e o melhor que sabe este maravilhoso bolo que, dados os factos, se considera parte da história e do património cultural desta região.

Esta é uma receita registada, por essa razão só é possível referir os ingredientes utilizados: mel, ovos, manteiga, açúcar, farinha, cerejas, pêras, passas de uva, miolo de pinhão, miolo de noz, miolo de amên¬doa, arrobe de uva, laranja, limão, vinhos licorosos, fermento de pão.

Bombarral
Se chegar ao Bombarral de com¬boio, quando se vir na estação, vai ser imediata¬mente atraído pelo azul e branco dos seus azulejos. Pintados em 1930 pelo artista plástico Jorge Pinto, estes painéis ilustram o modo de vida das gentes da terra, indiscutivelmente ligadas à terra e ao vinho. Ali estão as mulheres a limpar as cepas, os homens a pulverizar a vinha, a fazer a vindima, a pisar as uvas… O pintor passou para o azulejo um ofício que todos os naturais da zona conhecem e muitos dominam. Com efeito, já vem de longe a herança vitivinícola do concelho.
Inserida numa fértil região agrícola, produto do trabalho dos monges de Alcobaça, de foreiros, de colonos e de agricultores, esta zona, situada numa planície de aluvião bastante fértil na margem esquerda do rio Real, goza há muito de terras de grande qualidade. No início do século XX, os vinhedos preenchiam a maior parte da paisagem e tinham ganho quase o estatuto de monocultura. O vinho era, nessa altura, o principal meio de ocupação da maior parte da população, tanto como associados da Adega Cooperativa do Bombarral, que alimentou anos a fio os circuitos de produção do Vinho Verde comercial e da aguardente para o Vinho do Porto, como na qualidade de trabalhadores das grandes casas, como a Pereira Bernardino, a José Berardo, a Patuleias e Patuleias, a Sá Dias e Filho, a Abel Pereira da Fonseca que, reconhecendo o potencial das vinhas do concelho, investiram na re¬gião, compraram terras, ergueram adegas e construí¬ram destilarias. Hoje, muitas destas quintas produto¬ras de vinho da região, como a Quinta do Sanguinhal, a Quinta das Cerejeiras, a Quinta dos Loridos, fazem parte da Rota da Vinha e do Vinho do Oeste.