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Biscoito da Teixeira: o sabor da tradição

Uma receita que passou de geração em geração e cujo segredo poucas famílias conhecem. 

Estivemos à conversa com Bruno Cardoso, natural de Lamego e gerente da Associação Inovterra, para conhecer um pouco melhor este delicioso biscoito e a sua produtora. Bruno Cardoso respondeu desta forma às nossas questões:

 

Conte-nos um pouco da história do Biscoito da Teixeira.

É um biscoito de festas religiosas, ou seja, sempre que há romarias na região do Douro, há biscoito da Teixeira. Normalmente as bancas que vendem este biscoito posicionam-se à porta das igrejas e, quem delas sai com apetite, encontra estas bancas com os biscoitos. Antigamente também era assim porque não sendo um produto muito elaborado, é muito simples, não é caro e toda a gente o podia comprar.

 

Existem duas variantes da receita deste biscoito, correto?

Correto, o Biscoito da Teixeira divide-se basicamente em duas variantes: a variante a sul do Douro, ou seja, principalmente em Lamego, onde o ingrediente dominante é o limão, e a variante a norte do Douro, principalmente na zona de Mesão Frio, onde o ingrediente dominante é a canela. Ou seja, temos a variante a sul do Douro e a variante a norte do Douro.

 

Porque é que a Inovterra inclui este produto nos seus cabazes de frescos?

O papel da Inovterra é não deixar morrer as tradições e o saber fazer local e em Portugal temos produtos que são verdadeiramente fantásticos. Eu nasci em Lamego e conheço o biscoito da Teixeira desde que nasci. É um daqueles produtos que nos ficam no coração e de que nunca mais nos esquecemos. Vá para onde for quero sempre fazer-me acompanhar dos produtos que são da minha infância e da minha terra e esta é uma característica muito típica do povo português.

Nós portugueses temos uma grande ligação à nossa terra e procuramos sempre o que é nosso, o que nos recorda as nossas origens, principalmente quando estamos longe do nosso País. E é mesmo com esta ideia de apelar ao carinho que os portugueses têm pelas suas próprias marcas e pelo o que é nacional que a Inovterra aposta no conceito de preservação do local e de apoio aos pequenos agricultores e artesãos.

 

E quem é o produtor que vos fornece este biscoito?

Trata-se de uma senhora que é uma das poucas pessoas que produz o biscoito da Teixeira em Lamego, onde tem uma banquinha fixa na rua e quase todos os dias as pessoas que vão passando compram. O biscoito que ela vende é produzido apenas por ela e pelo marido, numa banca pequenina e é tudo muito caseiro. Os ingredientes são todos batidos à mão, os ovos são caseiros. Temos uma grande simpatia e carinho por esta produtora porque produz à antiga e todos os ingredientes que ela utiliza para a confecção deste biscoito são locais: desde os ovos à farinha que compra a pequenos agricultores.

Há por parte desta família um grande foco em manter a tradição e esta senhora tem um papel muito importante na zona, pois detém o poder de transmitir esta tradição às novas gerações. A receita que ela utiliza foi passada de geração em geração, foi a mãe que lhe passou a receita e já vão na sétima geração de biscoiteiros. Espero que haja uma geração seguinte com vontade de seguir esta receita de forma a que não se perca.

 

É uma receita que pouca gente conhece?

Sim, é uma receita que pouca gente conhece e se nós neste momento tivermos 6 biscoiteiros em Portugal a produzir biscoito da Teixeira, é muito. As próprias pastelarias locais não produzem porque compram aos pequenos biscoiteiros.

 

Esta entrevista teve lugar no seguimento da inclusão do produto Biscoito da Teixeira no cabaz de frescos do SmartFarmer, negócio social da Oikos – Cooperação e Desenvolvimento, cuja missão é valorizar o consumo de proximidade e dar a conhecer pequenos e médios produtores nacionais, ajudando-os a vender mais e melhor. Todas as semanas os cabazes de frescos do SmartFarmer incluem um produto regional designado ‘cabeça de cabaz’. 

Para conhecer e aderir ao cabaz ‘frescos da semana’, conheça aqui a composição e outras informações:

https://smartfarmer.pt/produto/cabaz-frescos-da-semana/

 

O Biscoito da Teixeira: ‘Um pouco de História’

O Biscoito da Teixeira é um doce tradicional da região do Douro. A versão mais conhecida é a do concelho de Baião, com origem na freguesia de Teixeira, que pode ser encontrado com frequência em feiras e romarias. O mesmo sucede com o biscoito da Teixeira, mas com a receita e o saber fazer de Lamego.

São biscoitos diferentes, embora tenham o mesmo nome: o da zona de Baião é mais escuro, mais parecido com um bolo, já o da zona de Lamego é mais estaladiço e mais branco. Há também o amarelo que leva ovos. A massa interior é branca, a textura é suave, pouco doce e domina o sabor a limão.

O formato dos dois biscoitos também é diferente, sendo o de Lamego retangular.  Ao contrário de muitos doces regionais, provenientes da doçaria conventual, os biscoitos da Teixeira têm origem em comunidades de escassos recursos, tendo em conta os poucos ingredientes e, portanto, o biscoito branco é o mais tradicional. O amarelo surgiu depois e também é feito com açúcar, farinha e limão, mas leva ainda ovos e canela. A receita passou de geração em geração, mas não está massificada, sendo que apenas algumas famílias conhecem o segredo. A textura, o sabor suave e o facto de se poder guardar durante algum tempo ajuda a que seja consumido em festas e romarias.