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Bio-Regiões, ‘Borrachões’ e Geocakes

As Bio-Regiões em Portugal são 4 e consistem em áreas geográficas onde agricultores, cidadãos, operadores turísticos, associações e o poder local estabelecem uma parceria para a gestão sustentável dos recursos locais, dando centralidade à produção e consumo alimentar de base biológica e agro-ecológica.

A alimentação está no centro do debate sobre o desenvolvimento sustentável. O sistema alimentar mundial necessita de uma urgente mudança e esta afirma-se no sentido da promoção ativa de sistemas alimentares territoriais baseados na agricultura familiar e em modos de produção sustentáveis que promovam a biodiversidade, os conhecimentos tradicionais e as dietas saudáveis.

Se nunca ouviu falar de uma “bio-região”, é agora que vai saber o que são.

As bio-regiões são “locais atrativos para um mundo sustentável”, tal como anuncia a rede internacional INNER. Foi este grupo que deu início a este movimento, em Itália, em 2004. Segundo o responsável da Rede Internacional das Bio-Regiões (International Network of Eco Regions – INNER) em Portugal, Custódio de Sousa Oliveira, “uma bio-região é um acordo de gestão sustentável do território baseado na agricultura biológica”, envolvendo toda uma comunidade local.

“Os produtos alimentares nestas áreas também se tornam património cultural e uma marca de identidade local”, escreve a INNER. “Os agentes sociais e económicos locais tornam-se mais responsáveis na gestão dos recursos naturais e ambientais, que são comuns a vários sectores (agricultura, turismo, comércio, etc.)”, acrescenta ainda.  A seguir a Itália, Portugal é o país do mundo com mais bio-regiões. Conta já com quatro, e junta-se a países como França, Suíça e Índia. São elas: São Pedro do Sul, Alto Tâmega, Margem Esquerda do Guadiana e Idanha-a-Nova.

Idanha-a-Nova foi a 1ª bio-região em Portugal e segundo o Centro Munivipal de Cultura e Desenvolvimento de Idanha-a-Nova (CMCD) o seu objetivo foi o da “implementação de uma estratégia de desenvolvimento sustentado no nosso território, promovendo as potencialidades do concelho de uma forma diferenciadora e mais sustentável”. E tal está à vista. Desde os clássicos queijos de cabra e azeite biológico, como o azeite Egitânia, passando pelos típicos Borrachões, até aos doces e broas de mel da marca Geocakes, a bio-região de Idanha afirma as suas virtudes e singularidades.

Os ‘Borrachões’ de Idanha

Com um nome muito peculiar, os ‘borrachões’ são os biscoitos mais conhecidos na Aldeia Histórica de Idanha-a-Velha e arredores, uma receita tradicional que utiliza azeite, óleo, aguardente, vinho branco, açúcar, sal e farinha e ovo batido. Os ‘Borrachões’ são um alimento biológico que, quem aprecia, volta a comprar, aliás, são muito apreciados por todo o município de Idanha-a-Nova, a que pertence também a Aldeia Histórica de Monsanto. Em Idanha-a-Velha, é costume preparar “borrachões” na altura da Páscoa. Porém, seja qual for a altura em que se visite esta Aldeia Histórica, nos hotéis e restaurantes da região há sempre “borrachões” para acompanhar o pequeno-almoço, o lanche, ou para servir de sobremesa após a refeição.

 

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A marca Geocakes

A Geocakes é um projeto que nasceu da paixão da chef Raquel Ramos pela pastelaria, enquadrada pela região do território do Geopark Naturtejo, e na sequência da perceção da potencialidade dos saberes das gentes, dos receituários e qualidade dos produtos endógenos da região, de modo a satisfazer as necessidades do mercado, pautando-se pela utilização dos recursos materiais e imateriais (na sua grande maioria) do concelho de Idanha-a-Nova. No atelier da Geocakes só se encontram produtos genuínos e promovem-se receituários que destaquem a identidade local e potenciem os sabores tradicionais. Os ‘Borrachões’, são o ex-líbris da Geocakes, e é na quinta de Raquel e Mário Ramos que se produz grande parte dos produtos alimentares que estão à venda no seu atelier e em muitos outros locais do País, como por exemplo na loja online da SmartFarmer.

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