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As 14 regiões vitivinícolas portuguesas

As regiões vitivinícolas em Portugal têm a quarta maior área de vinha da Europa, com 199 mil hectares, sendo 88% com Indicação Geográfica (IG) ou Denominação de Origem Controlada (DOC). E não só temos muito, como bom vinho. Começando pelo Norte, são 14 as regiões vitivinícolas demarcadas em Portugal, e cada uma possui a sua própria identidade:

Vinhos Verdes

A região dos Vinhos Verdes existe desde 1908 e abarca um território diverso pelo Minho, com mar, montanha, rio e claro, vinha. Incluem-se nove sub-regiões: Amarante, Ave, Baião, Basto, Cávado, Lima, Monção/Melgaço, Paiva e Sousa. Os Vinhos Verdes caracterizam-se por frescura nos brancos e juventude nos tintos. Nos brancos, predominam as castas Arinto, Trajadura e Loureiro, mas também a Alvarinho, das zonas de Monção e Melgaço. Nos tintos, predomina a casta Vinhão. Os rosados são suaves.

Trás-os-Montes

A diversidade dos vinhos desta região resulta, em parte, dos solos e microclimas que a marcam: territórios com diferentes temperaturas, altitudes e chuvas, fazem resultar vinhos de uma variedade riquíssima. Os vinhos brancos da região apresentam equilíbrio aromático com grande intensidade de aromas frutados e leves florais e no caso dos vinhos tintos, são vinhos com uma intensidade corante muito consistente e elevada, aromaticamente muito frutados.

Douro

O Douro é a região vitivinícola demarcada mais antiga do mundo. Fruto da Natureza e do trabalho árduo do Homem, de esculpir as montanhas em socalcos férteis, aqui encontra tintos encorpados e fortes, sublimes brancos frutados, espumantes da região de Lamego e os generosos vinhos do Porto, que variam em nível de doçura e intensidade.

Távora-Varosa

Na região de Távora-Varosa, cujo nome vem dos dois rios que banham esta região, encontra-se um vasto património cultural e vinhas plantadas em solos graníticos, solos litólicos e solos de transição, que reúnem boas condições para a criação de vinhos geralmente frescos, e com teores de acidez ideais para a produção de vinhos espumantes, feitos pelo método clássico, com sabores a fruta, persistentes, tal como a sua bolha.

Dão

Região de solos graníticos, as vinhas são cultivadas a cerca de 500 metros de altitude, o que se traduz no seu vigor e robustez. A maioria dos vinhos, desde tintos a espumantes resulta das castas Tinta Roriz, Touriga Nacional, Encruzado e Malvasia Fina. Nesta região, o vinho branco é pouco alcoólico, rico em ácido málico e bastante frutado, e o vinho tinto possui boa capacidade de envelhecimento.

Bairrada

Na Bairrada podemos usufruir da serra, do mar e de cultura. Aqui, os espumantes são a ‘estrela da companhia’ devido à propensão das suas vinhas para a produção de vinhos bases com boa acidez. Com diferentes níveis de doçura (desde brutos a doces), a casta Baga é a mais emblemática da região. Os vinhos tintos envelhecem bem e ganham aromas interessantes e os vinhos brancos são delicados e persistentes.

Beira Interior

Por sua vez, na Região da Beira Interior, que é das regiões mais montanhosas de Portugal continental, os solos são graníticos e xistosos, e o clima é agreste. Como sempre, estes fatores influenciam as vinhas e o vinho, este, de altitude (entre os 400 e os 700 metros). Os vinhos tintos são complexos, com aromas a frutos silvestres e especiarias. Os vinhos brancos esperam-se mineralizados e exuberantes.

Lisboa

Lisboa é famosa tanto por tintos encorpados como por brancos leves e aromáticos. Devido à localização temperada, com solos argilo-calcários, produz-se vinho junto às serras de Montejunto e de Aires e Candeeiros. As vinhas são caracterizadas por se espalharem nas várias colinas e encostas. Na Lourinhã encontram-se mar e serra, mas também estas vinhas exuberantes. Em Sintra, encontram-se as peculiares vinhas de ‘chão de areia’.

Tejo

Na Região do Tejo, as zonas antigamente chamadas de ‘saloias’ são extremamente férteis e ímpares. Também aqui podem encontrar -se um património histórico e herança cultural soberbos, que irão marcar a produção de vinho. Predominam os vinhos brancos, frescos e aromáticos, com as castas Fernão Pires e Arinto. Os vinhos tintos são encorpados, mas macios, com boa acidez, geralmente de castas como Touriga Nacional e Trincadeira, entre outras.

Península de Setúbal

Na Península de Setúbal, o rio Sado atravessa a região e o mar atrai ao banhar a Serra da Arrábida, região protegida e apreciada. Estes marcam os solos compactos e influenciados pelo clima misto. O ex-libris é o vinho moscatel, sendo que o Moscatel Roxo DO Setúbal, da Adega de Pegões, foi eleito como o melhor do mundo, em 2016. Nos vinhos tintos, encontram-se aromas a especiarias e a frutos vermelhos. Nos vinhos brancos, aromas florais, suaves, mas com personalidade.

Alentejo

O Alentejo, região de vastas planícies, com muito sol e solos de argila, granito, calcário ou xisto, prima pela agricultura, tradição, praias e gastronomia, mas também pelos seus afamados vinhos. Nas elevações isoladas geram-se microclimas propícios ao plantio da vinha que conferem qualidade às massas vínicas. A maturação que o sol dá às uvas, traz doçura e corpo aos vinhos desta região.

Algarve

O Algarve é a prova de que as belezas do Sul do país, vão muito para além das praias douradas. Entre falésias, montes e vales, as vinhas remontam à presença árabe na região, que marca este néctar dos deuses, desde os vinhos mais simples aos frisados, de multi ou monocasta. Distinguem-se as zonas de Lagoa, Lagos, Portimão e Tavira.

Madeira

Com um clima temperado húmido, solos férteis vulcânicos, mas socalcos agrestes, deles resulta o famoso vinho da Madeira. São produzidos outros tipos de vinhos característicos, nomeadamente o Boal, Malvasia, Sercial, Terrantez e Verdelho. O vinho licoroso da Madeira possui grande longevidade, e o sabor pode ir desde seco a doce, com aromas complexos e harmoniosos. A casta Tinta Mole é a mais plantada na região, contudo também existem castas mais raras como a Sercial, a Boal, a Malvasia e Verdelho.

Açores

Nos Açores, os solos, também estes únicos, vulcânicos, conferem paisagens e cheiros ímpares, transpostos para a produção vitivinícola e para o sabor de cada vinho. Encontram-se as vinhas nos chamados ‘currais’, que bebem do mar e aguentam os ventos constantes. Os Açores destacam-se na produção de vinho generoso da região do Pico e Graciosa. Na ilha Terceira produz-se um vinho branco leve e seco.