//Arroz de Lamejinhas

Arroz de Lamejinhas

Pode servir de refeição completa ou como acompanhamento de enguias fritas.

Muitas das características da cozinha do Montijo derivam da sua proximidade em relação ao rio Tejo. Implantado junto de um dos braços que prolongam o Mar da Palha, os seus habitantes desde sempre foram buscar às águas parte do seu sustento. Na maré vazante, emergindo do lodo, as lamejinhas, também conhecidas como lambujinhas, são dos bivalves mais abundantes no estuário do Tejo e, por isso mesmo, os menos valorizados comercialmente. Com preços acessíveis, sempre integraram os momentos de convívio mais populares, sobretudo entre os que os apanhavam. Hoje em dia, continuam a ocupar o mesmo lugar nos hábitos gastronómicos das populações da beira-rio, consumidas como petisco ou usadas na preparação de arroz, podendo servir de refeição completa ou de acompanhamento de enguias fritas, prato típico do Montijo.

Ingredientes
0,5 kg de lamejinhas ; 350 g de arroz; 0,5 dl de azei¬te; 1 dente de alho; 1 cebola; sal e coentros.

Preparação
Colocam-se as lamejinhas de molho em água salga¬da durante 48 horas para largarem a areia. Lavam-se, depois, em várias águas. Faz-se um refogado com a cebola cortadinha, o alho e os coentros em azeite, deitando-se a seguir as lamejinhas bem lavadas. Há quem tire as cascas antes de deitar o arroz e quem as deixe com cascas. Acrescenta-se água, geral¬mente o dobro do arroz, e deixa-se cozer. Devem ser rejeitadas as que não abrem durante a cozedura31.

Harmonização
Para melhor escoltar a untuosidade deste prato, um vinho com base na casta Fernão Pires é o parceiro ideal. Na Península de Setúbal é possível encontrar-se esta casta em muitos vinhos brancos IG Península de Setúbal, na maioria das vezes vinhos de lote, onde também se encontram as castas Moscatel de Setúbal e Arinto. O equilíbrio típico desta casta e os seus aromas frutados enobrecem a combinação com este prato. Um vinho fresco, vívido e guloso.

Montijo
À distância de um olhar estende-se a toalha azul do Tejo recortada, ao longe, pela mancha urbana da capital. Este é o horizonte da cidade do Montijo, estrategicamente plantada com os pés na água. Mas se a sede do concelho convive de perto com o rio, parte das suas freguesias nem o vislumbram. O município é territorialmente descontínuo, estando geograficamente dividido em duas partes: a ociden¬tal, onde se encontra a sede do concelho, com uma área mais pequena e ribeirinha; e a oriental, interior, com uma vocação essencialmente agrícola. Estas regiões intervaladas apresentam uma variedade de paisagens e de hábitos que, todas juntas, conferem riqueza e diversidade ao concelho.
Em tempos, parte destas terras estava coberta de talhos de salinas, estirados pelas vastas planícies. O sal saía daqui em faluas carregadas de grandes quantidades para abastecer as cozinhas de Lisboa. Com o advento dos frigoríficos, a procura deste produto passou a ser cada vez mais para a confeção dos alimentos e menos para a sua preservação. Houve uma progressiva quebra de procura e, em meados do século passado, a decadência do negócio ditou o seu abandono. Felizmente, o solo abençoado deste concelho oferece muito mais do que chão sal¬gado. Esta região já foi considerada um dos maiores centros corticeiros do País, a floricultura representa, só na flor de corte, 75% da produção nacional e a suinicultura, principalmente na transformação de carnes, continua a ter um importante papel na eco-nomia local.

IN: OS Sabores da Nossa Terra – Associação para o Desenvolvimento Rural da Península de Setúbal (ADREPES)