//Arrepiados de Almoster

Arrepiados de Almoster

A criação dos Arrepiados deve-se às freiras da ordem das Clarissas.

O Convento de Santa Maria, em Almoster, no concelho de Santarém, acolheu as freiras da ordem das Clarissas até 1834, data da extinção das ordens religiosas em Portugal. A estas freiras se deve a criação dos Arrepiados, bolos de feitura simples, para aproveitamento das claras dos ovos cujas gemas terão entrado na confeção de outros doces. Para justificar o seu nome, conta-se que, estando as freiras atarefadas na cozinha preparando os bolos que iriam servir a um grupo de fidalgos de visita ao Convento, uma delas mostrou preocupação por irem apresentar um doce tão singelo a tão ilustres visitantes, ao que outra a terá sossegado, afirmando que os bolos ficariam tão bons que os fidalgos se sentiriam “arrepiados”. Se a história tem algum fundamento, é impossível comprová-lo, mas comer Arrepiados deixará qualquer guloso “arrepiado” com a qualidade e o paladar destes bolos, que são uma das principais referências da doçaria escalabitana.

Ingredientes
5 claras; 500 g de açúcar; 500 g de amêndoa com pele; raspa de limão; canela q.b.

Preparação
Batem-se as claras em castelo bem firme. Acrescen¬ta-se o açúcar, continuando a bater até fazer bolhas. Junta-se a raspa do limão e a canela. A este prepa¬rado incorpora-se a amêndoa devidamente cortada em lâminas fininhas e inteiras, sem bater. A amêndoa deve ser envolvida na massa das claras com açúcar. Num tabuleiro untado com um pouco de azeite ou óleo de boa qualidade, deitam-se colheradas de mas¬sa, afastadas umas das outras. Vão ao forno a cozer durante 15 minutos e devem ficar com um pouco de cor. Estes bolos não devem ser tendidos para que fiquem com o aspeto de arrepiados.

Harmonização sugerida pela CVR Tejo

Estes bolinhos de amêndoa fazem as delícias do lanche acompanhados por uma chávena de chá. Se os quiser apreciar com uma bebida mais forte, escolha um vinho licoroso da Região Tejo.

Santarém
Miguel Torga afirmou: O Ribatejo deve ser visto das Portas do Sol de Santarém, num dia de cheia, ou das bancadas duma praça de toiros, numa tarde de Verão. Num dia de cheia, porque o Tejo hipertrofiado mar¬ca-lhe exatamente a extensão e os toiros, porque é no redondel que se precisa a sua íntima significação. Com efeito, o concelho de Santarém deve primeiro ser conhecido do alto da antiga alcáçova. As Portas do Sol são uma entrada direta para o céu, para o Tejo e para os campos, para esse horizonte rasgado que se alcança da muralha, que um dia foi defensiva, mas que hoje, feita mirante, nos lança para a mais maravilhosa das vistas. Santarém é tudo quanto se consegue alcançar daqui: é o olival que lança raízes na terra do bairro, é o toiro bravo que pasta no campo, o cavalo que é desbastado no picadeiro, a vinha que é vindimada, o solo que é amanhado, e é o rio, o sempre presente Tejo, que alimenta tudo à sua passagem. Mas é muito mais do que isto, é um lugar cheio de história, de cultura e de património. Conhecida como a “Capital do Gótico”, em Santarém proliferam vestígios deste estilo arquitetónico em igrejas, campanários, conventos.
Nesta cidade, chegaram-se a contar cerca de dezas¬seis mosteiros o que, indiscutivelmente, contribuiu muito para a qualidade da doçaria tradicional. As Broas e as Queijadinhas do Céu do Convento de São Domingo das Donas, as Celestes do Convento de Santa Clara e os Arrepiados do Mosteiro de Almoster da Ordem de Cister são disso só um exemplo. É também incontornável a associação de Santarém ao Festival Nacional de Gastronomia que ali se realiza desde 1981 com o objetivo de promover os produtos e as tradições do concelho.

IN: OS Sabores da Nossa Terra – APRODER – Associação para o Desenvolvimento Rural do Ribatejo