//Algarve recorda ‘comidas’

Algarve recorda ‘comidas’

A 1.ª edição do ‘Festival da Comida Esquecida’ vai decorrer de outubro a maio de 2020.

A primeira iniciativa vai ter lugar no próximo sábado, dia 19 de outubro e convida a um ‘piquenique’ no local de Azilheiria, concelho de Silves, que a organização define como “um local magnífico, quase escondido, onde a natureza flui na fronteira entre o Algarve e o Alentejo”. O objetivo “não e só comer, mas também conviver”, sublinham em declarações à Lusa.

Mas estão já programadas outras atividades onde poderão ser ‘recuperadas’ iguarias como as sardinhas garnentas, pau roxo, catacuzes, alcagoitas, cherovias e milhos fervidos ou aferventados.

Outras atividades já previstas são, novas edições dos piqueniques, as experiências sensoriais em jantares nos monumentos algarvios e idas à horta para colher “ingredientes menos conhecidos do público” e confecioná-los com cozinheiros locais, culminando numa festa de encerramento no centro de Querença,

A iniciativa é da Cooperativa Qrer, que “nasceu da vontade de um grupo de pessoas disponíveis para apoiar a criação de condições favoráveis à fixação de indivíduos e iniciativas nos territórios de Baixa Densidade, através do apoio e dinamização de ações sustentáveis que estimulam a economia”, como se pode ler em www.comidaesquecida.com

Este ‘Festival da Comida Esquecida’ surge na sequência do trabalho que tem vindo a ser realizado por esta cooperativa no interior serrano algarvio, nomeadamente na produção local e na gastronomia como base do desenvolvimento do território e na perceção que foram tendo do “desaparecimento de muitas comidas” declarou à Lusa Alexandra Santos, exemplificando com as sardinhas garnentas, pau roxo, catacuzes, alcagoitas, cherovias e milhos fervidos ou aferventados.
A falta de tempo para confeções alimentares mais “trabalhosas” leva a que se verifique já uma situação de ‘quase extinção’ de algumas espécies agroalimentares, uma situação que se agrava com as práticas agrícolas “cada vez mais massivas”, aponta a cooperante.

Trata-se, define a Qrer, de “comida esquecida nos usos, por estar associada à pobreza e à ruralidade ou ao esquecimento demográfico e por não serem espécies de interesse agrícola atual”.