//Abolição do plástico incentiva o consumo de água da ‘torneira’?

Abolição do plástico incentiva o consumo de água da ‘torneira’?

Presidência da República promete só consumir da torneira. Estado e Assembleia da República proíbem garrafas de plástico mas…

No início deste ano foi firmado um acordo entre a Empresa Pública das Águas de Lisboa (EPAL) e a Presidência da República através do qual foram disponibilizados jarros e garrafas de vidro para as áreas comuns e diversas salas da residência oficial do Presidente da República.

De acordo com um comunicado da EPAL, esta parceria pretende “reconhecer o compromisso do mais alto órgão de soberania da Nação na gestão da eficiência de recursos”, neste caso traduzido no consumo de água da rede pública. O fornecimento de recipientes em vidro para servir a água da torneira vem ao encontro dos esforços dos ecologistas para incentivar o consumo de água das redes públicas mas também combater as embalagens de plástico, nomeadamente as que acondicionam água.

A indispensável e urgente necessidade de combater o uso de plásticos levou o governo a aprovar em Conselho de Ministros, em outubro do ano passado, uma resolução que proíbe a administração direta e indireta do Estado de usar garrafas, sacos e louça de plástico, entre outras medidas. Mas nada garante que passe a ser consumida água da torneira.

Exemplo disso é a Assembleia da República onde, desde 2012, foram trocadas as garrafas de plástico usadas no Parlamento por garrafas de vidro reutilizáveis fornecidas pela empresa de água engarrafada.

Mas também nos restaurantes a ‘guerra da água’ tem conhecido episódios que relatam a cobrança de copos de água da torneira, muitas vezes por valores considerados abusivos (1 € por exemplo) colocando-se a questão da legalidade de tal procedimento.

Com a futura proibição do uso garrafas de plástico, certamente que passarão a ser usadas garrafas de vidro para acondicionar a água fornecida pelas empresas engarrafadoras, com previsíveis aumentos de preço.

Por outro lado é muito provável que a água passe a ter origem na rede pública e a ser servida em jarros ou garrafas de vidro nos cafés, snacks, restaurantes e outros estabelecimentos de alimentação. E o pagamento desse produto e serviço passará, com naturalidade, a ser pago. Mas a que valores?