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A seca e o impacte ambiental nas culturas do Algarve

Depois de termos sentido as temperaturas elevadas e inclusive ter sido comunicado que Portugal estava com aviso laranja, é tempo de refletir sobre o impacto que esta situação provoca na agricultura no Algarve.

O Algarve é um dos destinos turísticos mais procurados no Verão. O tempo convida a banhos e a água refresca não só o corpo mas a alma dos muitos turistas que procuram o sul como destino de férias todo o ano.

Nem só de praia se faz o Algarve, até porque os extensos laranjais em território a sul são também eles dignos de imagem de postal. Aquela que outrora era vista como a cultura rainha pode agora ser ameaçada pela disponibilização da água para aquele que é considerado o ouro verde: o abacate.

É certo que são poucos os produtores deste fruto na Europa, o que poderá ser um ponto a favor para a economia do nosso país. Mas dado que nos encontramos em período de seca extrema, não será melhor repensarmos quais as espécies mais rentáveis e sustentáveis?

É fulcral fazer um uso consciente da água pelo que, investir na agricultura intensiva de citrinos e outros que tais, talvez não seja a melhor opção para que possamos minimizar o impacte ambiental.

Não quero com isto dizer que seja necessário banir as culturas de frutas exóticas, mas que haja um maior controlo através da monitorização e valorização do produto.

Além disso, também é preciso repensar a quantidade de atrações turísticas existentes como parques aquáticos e campos de golfe, que ajudam ao elevado consumo de água, ou pelo menos arranjar estratégias para minimizar os danos.

Fala-se da possibilidade de racionamento de água, mas teremos nós realmente consciência de quantos litros de água gastamos individualmente por dia? Esta é uma consciencialização que tem que ser feita em cidadania, e não só por parte dos agricultores ou empresários hoteleiros.

Margarida Goulão