//A Mesa

A Mesa

Mesa e o Natal, as comemorações, os estudantes, os negócios, a família, as ‘fantasias’…

Grandes, médias, pequenas, mini, as mesas estão à nossa volta e não damos por elas porque ’estão sempre ali’. A mesa é tão presente na nossa vida que muitas vezes, sem pensar até dizemos: “vamos procurar uma mesa para nos sentarmos”, quando na verdade não é na mesa que nos sentamos.
Objeto de eleição de quem gosta de saborear o ato social de comer em grupo, a mesa é, talvez, um dos mais simples ‘inventos’ do homem.
Uma pedra com uma superfície mais ou menos plana terá feito, na pré-história, esta função. Com a grande vantagem de não “coxear” nem permitir os pontapés “por debaixo da mesa”. Difícil seria, igualmente, mudar a mesa de lugar.
Como peça de mobiliário terá sido criada em meados do século I, não se conhecendo o seu autor embora se atribua a sua origem a árabes ou persas.

A mesa e o Natal
Na noite da consoada ainda muitas famílias fazem questão de reunir todos os seus membros numa mesa, por vezes de grandes dimensões, onde reina a alegria e a saudável confusão das crianças a gritar e dos mais velhos a interpretar mal o que ouvem devido à surdez.
Mas esta reunião na mesa é sempre muito aguardada durante todo o ano, embora por vezes alguns esqueçam o espírito da quadra e não resistam a comentar: “lá tenho que aturar outra vez aquele tipo. O que vale é que é só uma vez por ano”.

A Mesa e as comemorações
É na mesa que, num jantar romântico, se ganha coragem para dar início a uma grande e fogosa história de amor. Independentemente da duração da relação, fica sempre a memória dessa refeição. Por vezes, também da conta e do arrependimento.
E se a refeição acabar por dar em casamento, é na mesa que nos sentamos com a família e os convidados, já fartos de tanta fotografia e ansiosos por dar início ao que, ninguém sabe porquê, insistem em chamar ‘copo de água’.
Sentamo-nos de novo à mesa para o batizado do novo membro da família, embora com vontade de atirar para fora da mesa as más-línguas que não se cansam de criticar o vestido da madrinha, o fatinho do bebé e a ementa da refeição que “não vale o presente a que os pais nem sequer fizeram referência”, resmungam alguns dos convidados.
Para assinalar mais um aniversário, sentamo-nos à mesa, frente a um bolo que sopramos enquanto pensamos: quem me dera ter aqui só metade destas velas. E mesmo que não acreditemos na vida eterna, lá repetimos que “cantam as nossas almas”.
Se o casamento corre mal e o casal não se entende quanto ao acordo de divórcio, há sempre o perigo de se sentarem à mesa para um jantar para chegar a um acordo e terminarem a discutir que tem a obrigação de pagar a conta.

A mesa e os estudantes
Quem não se recorda das horas passadas nas mesas de café antes ou depois das aulas. Ou mesmo, o que era bem pior, “em vez” de ir às aulas.

Negócios à mesa
Muitos empresários e executivos fazem da mesa do restaurante um local privilegiado para tratar de assuntos em que alguma informalidade e descontração podem contribuir para o sucesso. Um hábito que, ao que parece, é muito lusitano.

A família e a mesa
“Sentar-se à mesa para uma refeição em família fornece mais que simplesmente uma boa nutrição. Pode também gerar uma real qualidade de vida para toda a família”, disse Susan Moores da Associação Dietética Americana na apresentação de um estudo sobre o tema.

A mesa e as fantasias
Na mesma mesa onde se come, também se pode viver intensos momentos de paixão concretizando fantasias retiradas de romances ou de tórridas cenas de cinema.
Claro que convém, primeiro, tirar a louça.

A mesa e as contradições
E é também na mesa, que se sentam os poderosos que discutem a fome no mundo. Discussão que, normalmente, termina frente a um lauto banquete.

Amilcar Malhó