//Confraria fez ‘entregas de refeições’

Confraria fez ‘entregas de refeições’

Confraria de Espinho lançou iniciativa mas foi ‘substituída’ pelo município, sem ter tido conhecimento prévio.

Perante a dramática situação vivida atualmente pela restauração, a Confraria da Caldeirada de Peixe e do Camarão de Espinho promoveu uma ação de apoio aos restaurantes daquele concelho, criando um ‘serviço’ de entrega de refeições, entre as 12 e as 14.30 horas nos dois primeiros sábados e domingos de confinamento.

Uma colaboradora de um dos dirigentes da confraria concebeu o panfleto para divulgar a ação e cada um dos confrades que aderiu à iniciativa assumiu por inteiro os custos relacionados com os seus próprios veículos, usados para fazer as entregas.
Manuel Marques conta que foi criado um local de concentração “onde eram recebidos os telefonemas dos restaurantes, para onde nos deslocávamos para recolher as refeições e efetuar as entregas aos clientes”.

Contactada para apoiar esta iniciativa, a Câmara Municipal de Espinho divulgou o folheto criado pela confraria mas, “argumentando ser ilegal, recusou ceder a lista de restaurantes do concelho, que pretendíamos contactar para oferta da colaboração”, refere Manuel Marques que acrescenta terem elaborado uma lista através de pesquisa na internet.

Com um balanço que consideram positivo, preparavam-se para continuar a manter esta colaboração com o tecido empresarial da restauração, mas souberam através de um comunicado que o município de Espinho havia efetuado uma parceria através de uma plataforma online, com uma empresa de Espinho, para garantir o serviço de entregas, assumindo a autarquia as taxas de transporte a pagar à dita empresa”, revela o confrade.

Naturalmente que não está em causa – antes pelo contrário – o direito do município em seguir o exemplo de outras autarquias que estão a promover este tipo de apoio aos empresários da restauração. Mas tendo conhecimento da ação que a confraria havia levado a cabo nos dois fins de semana anteriores, talvez fosse pedir muito um agradecimento pelo trabalho voluntário dos confrades, mas o mínimo que se esperaria era um contacto a comunicar a decisão de promover uma iniciativa para ‘substituir’ a que havia sido lançada pela confraria.

No âmbito da minha atividade como jornalista, mas também como confrade de várias confrarias, já ouvi críticas e elogios à atividade desenvolvida por estas associações de defesa e promoção da gastronomia.

Mas com esta iniciativa da Confraria da Caldeirada e do Camarão de Espinho fica provado que as Confrarias Gastronómicas podem ser (e muitas são), mais do que grupos que se reúnem para almoços e jantares. Podem ser (e muitas são), organismos de intervenção social, nomeadamente no apoio à restauração do território gastronómico que representam.

E também que podem dar (e ao que parece esta deu), contributos para acelerar tomadas de decisão por parte dos organismos municipais.

Amilcar Malhó

A Confraria da Caldeirada de Peixe e Camarão de Espinho, foi fundada 3 de novembro de 2014, com o objetivo de “promover o estudo defesa e divulgação da genuína Caldeirada de Peixe e do Camarão de Espinho, e a sua relação com a gastronomia e artesanato, a arte, a ciência e a literatura, quer diretamente, quer em complemento de outras atividades históricas/culturais, como também a defesa da Arte Xávega, como produto histórico, etnográfico, social, económico e turístico de Espinho”.