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À base de proteínas vegetais não é carne

França proíbe a referência ou alusão a carne e peixes quando as propostas só apresentam ingredientes à base de vegetais.

Nos últimos anos, a oferta de alternativas à base de plantas a diversos tipos de proteína animal multiplicou-se, acompanhando as novas preferências e opções de muitos consumidores.

Muitos destes produtos apresentam-se como substitutos das mais conhecidas formas de consumir e comercializar carne, peixe e leite. Como forma de conquistar consumidores fora do grupo de pessoas que restringem a sua dieta a alimentos baseados em plantas, muitas marcas sentem a necessidade de definirem os seus produtos por comparação a outros que os não vegans e vegetarianos conhecem bem. Daí nascem muitas vezes os bifes de seitan ou tofu, o chouriço de soja, as salsichas vegetais e os hambúrgueres ‘plant based’. Estes são apenas alguns exemplos das denominações deste tipo de produtos que encontramos à venda nos supermercados, mas isto está prestes a mudar num país da União Europeia. Qual? A França.

Num decreto publicado na passada quinta-feira, dia 30 de junho, a França proibiu a referência ou alusão a carne e peixes quando as propostas só apresentam ingredientes à base de plantas.

Este país é o primeiro dos 27 estados-membros da UE a dar este passo, em prol da transparência e procurando evitar a confusão entre produtos por parte dos consumidores. Termos como bife, linguiça ou salsicha, por exemplo, não vão poder ser usados para descrever alimentos que são substitutos da carne.

“Não será possível usar a terminologia específica dos setores tradicionalmente associados à carne e ao peixe para designar produtos que não pertencem ao mundo animal e que, em essência, não são comparáveis”, pode ler-se no decreto oficial.

A nova regra entra em vigor a 1 de outubro de 2022, mas todos os produtos vegetais rotulados antes dessa data e que apresentem os termos agora reservados às proteínas de origem animal vão permanecer à venda até ao dia 31 de dezembro.

O regulamento aplica-se apenas a produtos fabricados em França, e o maior lobby agrícola do país, a FNSEA, disse que não foi suficientemente longe, uma vez que deixou a porta aberta às importações.

A associação francesa da indústria da carne Interbev congratulou-se com a implementação da lei inicialmente adotada em 2020, logo após o fim do confinamento pandémico. “Esta provisão é um primeiro passo em território francês, pioneiro na proteção dos seus nomes, que deveria ser alargada a nível europeu “, afirmou numa declaração.

Termos como “leite”, “manteiga” e “queijo” já são proibidos a nível europeu em produtos que não são de origem animal.

“A palavra hambúrguer utilizada por muitas marcas, incluindo empresas americanas Beyond Meat, Impossible Foods e Restaurant Brands International Inc’s Burger King, para atrair consumidores, continuaria a ser permitida, uma vez que não se refere especificamente à carne”, referiu um porta-voz da Interbev.