Vinho de talha quer ser património mundial

Vidigueira lidera um processo de candidatura do vinho de talha a «Património Mundial» que envolve igualmente os municípios alentejanos de Aljustrel, Cuba, Évora, Marvão e Moura.

Como afirmou à agência Lusa Manuel Narra, presidente da Câmara de Vidigueira, no distrito de Beja, esta candidatura pretende que a produção artesanal de vinho de talha seja classificada como Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Trata-se, acrescentou o autarca, de “salvaguardar a arte de saber fazer vinho de talha, que é produzido de forma artesanal há mais de dois mil anos” procurando evitar a industrialização da produção que, inevitavelmente, acabarão por “deturpar e estragar o vinho de talha na sua essência, que é o saber fazer de forma artesanal, em talhas de barro e segundo determinadas técnicas”, o que lhe dá “características únicas”.

A Entidade Regional de Turismo do Alentejo/Ribatejo, a Direção Regional de Cultura do Alentejo, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) e a Vitifrades – Associação de Desenvolvimento Local, que foi criada em 1998, em Vila de Frades, que se assume como “capital do vinho de talha”, para divulgar esta milenar prática de vinificação, são as cinco instituições envolvidas, para além dos municípios referidos.

7-1De acordo com a CVRA, «não existe apenas uma forma de fazer o vinho em talhas», já que a produção varia «ligeiramente» consoante a tradição local, mas, segundo a forma «mais clássica», que «pouco mudou em mais de dois mil anos», as uvas previamente esmagadas são colocadas dentro de talhas de barro e a fermentação ocorre espontaneamente.

Durante a fermentação, as películas de uvas, que sobem à superfície e formam uma capa de massas sólida, são mexidas com um rodo de madeira e obrigadas a mergulhar no mosto para «transmitir mais cor, aromas e sabores ao vinho».

Terminada a fermentação, as massas assentam no fundo, explica a CVRA, referindo que na parede da talha, perto da base, existe um orifício, no qual se coloca uma torneira e por onde o vinho atravessa o filtro formado pelas massas de uvas e «sai puro e límpido para o exterior», explica a CVRA.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *