Vinho «enlatado»

Dizem que beber vinho em latas faz sucesso nos Estados Unidos (onde mais poderia ser?) mas a verdade é que também já chegou a Portugal.

A socialite Paris Hilton é uma das promotoras da marca Rich Prosecco, que é distribuída em Portugal pela Fashion Drinks, uma empresa lisboeta que resolveu investir neste negócio.

Nos Estados Unidos, em 2015, lançaram um vinho com a marca «Mancan» que pretende juntar «man» (homem) com «can» (lata) com o objetivo de a apresentar como uma “bebida para homens”. Sim, o branding da marca é totalmente machista: beber vinho e apreciá-lo em taças é “efeminado”. Logo, a única maneira de bebê-lo com dignidade é numa lata bem máscula (como se fosse uma cerveja).

Agora, surge a notícia de que o produto agrada muito aos ‘millennials’, geração que valoriza mais as experiências do que os objetos. Como justificação apresenta-se o facto de, com a lata, não ser necessário saca rolhas nem copos.3-1

Embora comercializado nos Estados Unidos desde 2009, só agora o vinho em lata está a conhecer mais popularidades devido aos jovens adultos que procuram cada vez mais um sentido prático em tudo o que fazem, até mesmo no simples ato de beber um copo de vinho.
Há notícias de que, mesmo os tais ‘millennials’, na Grã-Bretanha rejeitaram a coisa e noutros países europeus onde existe tradição vinícola, não parece existir muito espaço para a entrada desta moda.

O alvo privilegiado da comunicação das marcas que já adotaram este meio para comercializar vinho tinto, branco, rosé, espumante e vinho com sabor a fruta é um público maioritariamente urbano, com idades compreendidas entre os 18 e os 32 anos. E apesar da aposta machista da «Mancan», as campanhas publicitárias desenvolvidas e a oferta disponibilizada têm tido um especial enfoque nas mulheres dessa faixa etária, até pelas cores usadas, pelo design das latas e, nalguns casos, como o da empresa italiana Vino & Fashion, pela sua associação a eventos de moda.

Um dia, quando crescerem, eles (e elas) vão descobrir o prazer de usar bons copos e sentir os aromas do vinho a preparar o palato para o receber. E nunca mais terão a «lata» de beber vinho onde só a cerveja e os refrigerantes são adequados.

Amilcar Malhó

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