//Vinho e aguardente ‘combatem’ covid-19

Vinho e aguardente ‘combatem’ covid-19

Espanhóis garantem que vírus ‘morre’ no vinho e portugueses produzem gel desinfetante a partir de aguardente vínica.

A Federação Espanhola de Enologia, consultou a comunidade médica e a resposta obtida foi a garantia de que a combinação de álcool, ambiente hipotónico e polifenóis contribui fortemente para impedir a vida e a multiplicação do Covid-19 no vinho.

Em comunicado, a Federação Espanhola de Enologia, após reunir com especialistas da comunidade médica e de associações internacionais de enólogos, concluiu que “tudo indica ser impossível a sobrevivência do coronavírus no vinho devido à combinação do álcool, de um ambiente hipotónico e a presença de polifenóis. ‘Descomplicando’, o ambiente hipotónico significa, do ponto de vista da química, tratar-se de um líquido em que a concentração do soluto é menor que a concentração do solvente. Já os polifenóis são substâncias naturais antioxidantes que se encontram em abundância nos taninos do vinho e que poderão impedir a vida e a multiplicação do vírus.

É claro que a conclusão não pode ser que beber vinho combate diretamente o coronavírus, embora a Federação espanhola tenha referido que o consumo responsável e moderado de vinho possa contribuir “para uma melhor higiene da cavidade bucal e da faringe, onde é comum o vírus alojar-se numa eventual infeção”.

Aguardente da Bairrada

Os vitivinicultores da Bairrada juntaram-se a farmacêuticos e outros profissionais da área da saúde, com o objetivo de produzir gel desinfetante a partir de aguardente vínica e outros produtos alcoólicos.

De acordo com informação veiculada pela agência Lusa, tudo começou com um apelo lançado nas redes sociais pelo diretor da revista ‘A Lei do Vinho’, Miguel Ferreira, que teve o efeito de juntar alguns produtores de vinhos na Bairrada e proprietários de destilarias.

“A Unidade de Saúde da Mealhada contactou as farmácias locais no sentido de se criar uma equipa de trabalho para produzir álcool gel a partir de aguardente vínica. Para tal, necessitam com urgência de espaços de destilação, onde o produto possa ser produzido”, apelou Miguel Ferreira.

“O objetivo é minimizar a dificuldade de acesso [ao gel desinfetante] por parte da população não ligada aos serviços de saúde. Já escasseiam as soluções e a Bairrada, com forte tradição na produção de derivados vinícolas, estaria disposta a ceder a matéria-prima para posterior destilação”, afirmou a farmacêutica Mafalda Melo.