Taxa de refrigerantes “deve ir para medidas de prevenção”

Aplausos para a taxação das bebidas açucaradas prevista no OE de 2017, mas a receita das taxas deve reverter para a promoção da alimentação saudável.

Já se sabe que uma versão do que o governo pretende aplicar na proposta do Orçamento de Estado para o próximo ano prevê aplicar uma taxar de 8,22 € euros por hectolitro (100 litros) às bebidas cujo teor de açúcar seja inferior a 80 gramas por litro e 16,46 € euros por hectolitro para aquelas cujo teor de açúcar seja igual ou superior a 80 gramas por litro.

Considerando que se trata de uma medida que poderá ser eficaz para reduzir o consumo de alimentos com elevado teor de açúcar, Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, da Direção Geral da Saúde, afirma que existem dois caminhos para modificar os consumos de risco dos portugueses, referindo-se ao açúcar e ao sal: “por um lado, o aumento do seu preço e por outro, desenvolver medidas de educação e capacitação para escolhas saudáveis”.

Um dos grandes obstáculos ao combate é o facto de os produtos menos saudáveis serem mais baratos já que “tanto o sal como o açúcar embaratecem os produtos, porque os conservam mais tempo. Tornando estes produtos mais caros, eles ficam menos acessíveis”, conclui Pedro Graça

Tendo em conta que em Portugal, mas também na Europa em geral, 97% do dinheiro gasto vai para tratamento e apenas 3% para prevenção, “se conseguirmos aumentar percentualmente, nem que seja um pouco, a prevenção, já pode fazer a diferença, até porque estamos a taxar produtos com pouco valor nutricional”, acrescentou.

5-1A bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento já avisou que, “se esta for só uma medida orçamental a Ordem é contra”, manifestando-se favorável a que a taxa seja aplicada diretamente em medidas que se relacionem com a promoção da alimentação saudável”.

Considerando para já suficiente a taxação dos refrigerantes e bebidas não alcoólicas açucaradas, a bastonária considerou que sendo importante as medidas relacionadas com o açúcar, seria talvez mais importante passar para medidas redutoras do sal, já que “a OMS diz para não consumir mais de cinco gramas por dia e os estudos revelam que consumimos mais de 12 gramas”.

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