Sopa caramela

A origem desta sopa é atribuída às populações rurais que vinham da Beira Litoral em busca de trabalho, sobretudo para a zona de Rio Frio, a quem se dava o nome de “caramelos”. A partir da segunda metade do século XIX, por necessidades de mão-de-obra permanente, os “caramelos de ir e vir” passaram a “caramelos de ficar”, tendo-se tornado rendeiros com casa e horta e fixado, sobretudo, na zona do Pinhal Novo, onde introduziram novos hábitos alimentares trazidos dos seus locais de origem. Vivendo com dificuldades económicas, a alimentação destas populações, embora consistente, baseava-se, sobretudo, em sopa feita com os produtos colhidos na horta – feijão, batata e couve – e, quem os tinha, com enchidos e carne da matança. Assim nasceu a Sopa Caramela. Inicialmente, era semelhante às sopas nortenhas de unto, mas, com o tempo e com um maior desafogo económico, esta sopa foi sendo enriquecida com mais ingredientes, tendo-se tornado num prato substancial, símbolo de uma comunidade que preserva as suas tradições e uma das principais referências gastronómicas da região.

Ingredientes

500 g de feijão catarino seco; 500 g de batata vermelha para cozer; 2 cabeças de nabo, com cerca de 600 g; 2 cebolas médias; 3 cenouras; 1 repolho; 1 couve-nabo e/ou portuguesa; 1 dente de alho; 1 chouriço de carne; 1 chouriço mouro; 300 g de toucinho entremeado, gordo; 500 g de ossos do espinhaço salgados; 500 g de massa cotovelinhos; 1 folha de louro; sal e azeite q.b.; coentros.

Preparação

De véspera, de 12 a 16 horas antes da confecção, sal¬gam-se o toucinho e os ossos do espinhaço e demo¬lha-se o feijão em água fria. Coze-se o feijão com as carnes e os enchidos previamente cortados, durante cerca de 1h30, em lume brando. Cortam-se grossei¬ramente os nabos e as couves. Pica-se a cebola e o alho, lamina-se a cenoura em “meia-lua”, corta-se a batata em cubos pequenos e junta-se tudo ao feijão com a massa, a folha de louro e o azeite. Deixa-se apurar durante mais 30 minutos. Mexe-se vigorosa¬mente no final para libertar o amido da batata e da massa, de forma a homogeneizar o caldo cremoso que envolve os ingredientes. Guarnece-se com os coentros, caso se deseje29.

A variedade e a qualida¬de dos ingredientes envolvidos pedem um vinho tinto de corpo médio, um DO Palmela, onde o Castelão tem uma presença obrigatória. Deve ser um vinho jovem, que combine a frescura da fruta madura com notas de madeira pouco acentuadas.

O texto e a receita aqui apresentados estão publicadas no Livro «Os Sabores da Nossa Terra» pela Associação de Desenvolvimento Regional da Península de Setúbal (ADREPES).

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