//Sommelier ou… ‘escanção’?

Sommelier ou… ‘escanção’?

Sim, sommelier soa melhor. Há até quem ache que dá mais ‘estatuto’. Mas a história diz o contrário.

Na revista ‘Escanções de Portugal’ de outubro de 2017 foi publicado um interessante texto que começa por chamar a atenção para o facto de Portugal ser o único país do mundo a manter a designação que faz jus às suas origens culturais latinas já que os seus homólogos franceses, ingleses, alemães, italianos, espanhóis e brasileiros empregam, antes, o termo sommelier, internacionalmente reconhecido.

O referido texto explica que a origem do termo sommelier vem do saumalier francês provençal, cujo significado era: condutor de bestas de carga. A origem latina é encontrada na palavra sagma, que significa “albarda” e, por extensão, a carga que os animais transportavam nela.

Em francês, o termo que posteriormente veio a consagrar-se para este ofício ligado ao vinho foi o de sommelier, que significa “condutor de animais de grande porte” (somme).
Os sommeliers tinham como função, nesse tempo, colocar as toalhas e atoalhados e, também, por ordem do escanção, trazer as bebidas, que depois este servia diretamente ao rei. Para além deste trabalho, ao sommelier cabia a tarefa, menos digna, acrescente-se, de pôr os talheres nas mesas reais, para além de cuidar do guarda-roupa dos soberanos nas suas deslocações pelo reino ou dentro do palácio

Em 1671, aparece, pela primeira vez, o Sommelier, a cuidar da despensa, da cave e do serviço de mesa e de vinho numa casa nobre.

Em 1680 o Sommelier Royal é o responsável por colocar a mesa (com facas e colheres, não se faz menção ao garfo), dobrar os guardanapos em formas apelativas, organizar o bufete, e responsabilizar-se pelo serviço de vinho e da sua correta temperatura.

Depois da revolução Francesa, em 1789, com o advento da burguesia à alta sociedade, o cargo democratizou-se e generalizou-se. O termo Sommelier chegou até aos nossos dias e tornou-se de uso corrente em vários restaurantes, que, entretanto, nasceram.

No texto publicado na revista ‘Escanções de Portugal’ fala-se também do serviço distinto que praticava o Grand Echanson de France – oficial encarregado de servir o vinho ao rei e ao príncipe herdeiro, idêntico ao nosso escanção-mor medieval e, porque não dizê-lo, ao atual escanção.

Sommelier é, de facto, mais ‘sonante’. Mas atendendo à história e às origens culturais latinas, logo, portuguesas, parece fazer muito mais sentido optar pelo… escanção.

Fotos: Associação Escanções de Portugal