A sardinha vai continuar a «armar» em salmonete ?

Tudo indica que este ano, particularmente durante os «Santos Populares», a sardinha vai estar a preços que só justificam o consumo, pela tradição. Sem ela, mais vale comer salmonetes.

As médias são o que são, mas a verdade é que, de acordo com o Jornal Público, no mês de Junho consome-se em Portugal 13 sardinhas por segundo e já se consumiu mais. Pudera, antes comprava-se a sardinha a 3 ou 4 vezes menos o valor que agora a «rainha» se apresenta aos consumidores.

Cada vez menos, cada vez mais cara, é uma regra de mercado. Para termos uma ideia, atentemos no facto de em 2015 terem sido transaccionadas 13.729 toneladas de sardinha, a quantidade mais baixa desde que há registos estatísticos por espécie.

Mas se olharmos para os últimos quatro anos, verifica-se que a quantidade média pescada, na ordem das 22 mil toneladas, foi 65% inferior à média descarregada no período anterior (64 mil toneladas entre 2005 e 2011).

O instituto de estatística revela que o preço médio da sardinha negociada nas lotas nacionais chegou aos 2,19 euros o quilo, o mais elevado dos últimos 20 anos. Em 1995, o valor negociado era de 0,31 euros por quilo. Nos últimos quatro anos, o preço médio quase triplicou face ao valor médio registado entre 1995 e 2011.

Mas a verdade é que no ano passado chegou a vender-se no consumidor final a 10 e 12 € o kilo e, atualmente, já se apresenta ao consumidor com o preço de 6, 7 e 8 euros.

A estes preços que elevam a sardinha ao estatuto de «gourmet», podemos contrapor a oferta de carapau e a cavala, as alternativas mais comuns, mas que, muitas vezes por preconceito, costumam ser rejeitadas. No preço, carapau e cavala são incapazes de competir com a sardinha. O valor praticado à descarga foi, em média, de 1,01 euros o quilo no caso do carapau, menos de metade da sardinha, e tem vindo a cair ao longo dos últimos quatro anos. Já a cavala registou um aumento do preço médio de 2,3% em comparação com 2014 mas o seu valor na lota não foi além dos 28 cêntimos por quilo, ou seja, 7,9 vezes abaixo do preço atingido pela sardinha.

Aumento da quota em 2016

Portugal vai pedir a Bruxelas um aumento da quota de captura de sardinha para os valores do ano passado, 19 mil toneladas, com base nos últimos indicadores científicos, disse em Peniche a ministra do Mar.

«A decisão não depende do Governo, mas sim de Bruxelas, mas temos boas perspetivas para que exista alguma revisão do organismo científico, porque das campanhas científicas que fizemos no nosso mar chegou-se à conclusão que houve alguma recuperação do stock da sardinha em relação ao ano passado», disse aos jornalistas Ana Paula Vitorino, considerando que a quota atual autorizada, 14 mil toneladas, pode ser aumentada.

Para a governante, «não se justifica que a quota seja inferior à do ano passado», pelo que há a esperança de que, na reunião de 10 e 20 de junho, o Conselho Internacional para a Exploração do Mar (CIEM – ICES) possa ter em conta a posição de Portugal.

Alguns apontamentos e curiosidades sobre o peixe dos «Santos Populares»

À sardinha pequena chama-se petinga que em Setúbal ganha também o nome de esquilha.

A sardinha assada e colocada no pão é hoje um costume que valoriza a tradição.

No tempo da escassez era importante, sobretudo no interior, porque dava sabor ao pão e permitia complementar a refeição comendo mais pão.

Está agora a consumir-se muito a sardinha crua, em filetes marinados com citrinos ou maracujá. O ácido anula as pequenas espinhas.

Ou ainda mais elaborada em carpacio (fatias finíssimas)

Tal como a deliciosa cavala, a sardinha é rica em ómega 3.

A sardinha grelhada realça os ácidos gordos polinsaturados, com destaque para os agora famosos omega 3 que ajudam a diminuir o risco de doença cardiovascular e hipertensão.

Quando os mouros estavam nas muralhas de Silves e os cristãos a cercavam, aqueles recolheram-se na cidadela e viram-se em grande aperto, já quase sem água. Passou uma gaivota no ar e deixou cair por acaso uma sardinha. Os mouros, como estratagema, atiraram a sardinha fora da muralha, para o campo dos cristãos. Estes disseram: «Oh! Há lá muito peixe fresco; não se rendem tão cedo!» E levantaram o cerco.

Leite de Vasconcelos – Contos Populares e Lendas

Em Armil, freguesia de Fafe, chamava-se às sardinhas «bifes de Armil». Isto porque os peixeiros ocultavam a profissão e diziam que vendiam bifes.

Claro que não devia ser fácil manter o engano pois o cheiro a peixe, denunciava-os.

Para tirar o cheiro da sardinha assada das mãos, pegue no sabonete ou sabão e lave uma mão de cada vez. Não esfregue uma na outra. O cheiro sai rapidamente.

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