//Saquinho de pão com mais tradição

Saquinho de pão com mais tradição

Esta é a frase que ilustra os sacos de pão 100% ecológicos, de pano, distribuídos no concelho de Gaia.

Consciente de que é responsabilidade de todos fazermos com que os gestos diários sejam cada vez mais sustentáveis, diminuindo a pegada ecológica de cada um, o Município de Gaia lançou uma campanha que pretende reduzir o uso de sacos de utilização única, de plástico ou de papel, no simples ato de comprar pão. «Saquinho de pão com mais tradição» é a frase que ilustra os sacos de pão 100% ecológico, de pano, que começam a ser distribuídos por todas as 15 freguesias/uniões de freguesia do concelho.

Um simples gesto que pode ter um grande impacto ambiental num concelho com a dimensão de Vila Nova de Gaia. Se cada um de nós for à padaria duzentas vezes por ano e usar um saco de pano, ao fim de 365 são menos duzentos sacos a poluir o planeta… Se multiplicarmos isto, por exemplo, por 150 mil pessoas que comprem pão duzentas vezes em 12 meses, serão menos 30 milhões de sacos de papel ou de plástico por ano!

A Câmara Municipal de Gaia, pretende, assim, contribuir para uma diminuição significativa da utilização de sacos de uso único, muitas vezes não recicláveis, mudando os hábitos dos gaienses nas idas diárias à padaria, o que poderá ainda desencadear outras rotinas mais amigas do ambiente. Neste contexto, esta campanha de sensibilização inclui a distribuição inicial de cerca de 20 mil sacos reutilizáveis a padarias – com a ajuda fundamental de cada uma das juntas/uniões de freguesia –, para que os ofereçam aos seus clientes. O objetivo é que, posteriormente, sejam as próprias padarias a adquirir estes sacos de pão e a distribui-los, contribuindo elas próprias para a adoção de hábitos e comportamentos de consciência ambiental.

Aguarda-se agora a reação dos clientes/fregueses e a sua recetividade para o uso diário do saco do pão.

Saco do pão

Quando as raparigas da aldeia faziam o enxoval, bordados pelas mães e pelas próprias noivas.

Bordar é uma arte que ainda persiste. A arte de “marcar”. Em algumas terras marcar é a mesma coisa que bordar. Os bordados estavam presentes, das mais variadas formas, no quotidiano local.

Em tudo a mulher punha um toque de arte, desde as cortinas com que decorava a casa até às peças de vestuário. Era ela que, nos tempos livres, confecionava tudo. Quando iam para o campo, onde trabalhavam, levavam com elas o taleigo, um saco onde guardavam dinheiro, alimentos e linhas e pano para bordar.

O ritual do namoro ‘era bordado’
A rapariga oferecia lenços bordados ao namorado, com vários motivos decorativos e os nomes, quer da rapariga e do rapaz, quer dos próprios amigos. Nos lenços podiam ver-se, entre outros bordados, a chamada coroa dos namorados, com vários corações, tendo cada um deles uma chave, a dona do coração.
As raparigas também ofereciam aos namorados uma bolsa para o relógio, marcada em ponto cruz, em lã, bolsas de dinheiro e um taleigo (saco do pão), tudo “marcado “.

Faziam-se bordados para a prateleira da parede, para a mesa e cadeiras, para a salgadeira e/ou para a masseira, cortinas das portas, para a mala de lata de algum dia, para tudo.

Quando os filhos nasciam, os fatos e toucas das crianças eram bordados a preceito. Qualquer touca vulgar era enfeitada com dois ou três franzidos e coberta de bordados vários. Também o vestuário das mulheres era ricamente ornamentado, desde as blusas e aventais aos lenços e cintas.
Entre os objetos tradicionais bordados encontravam-se também a bolsa da madrinha da Páscoa. Juntamente com as amêndoas, a madrinha oferecia uma bolsa à afilhada, que esta colocava ao peito.

Era tudo feito com paixão…tudo era bordado.
E nós, em Vila Nova de Gaia, não fugíamos à regra.
Quem não se lembra dos sacos de pão dos nossos avós. Duravam uma geração, resistentes a tudo. E nós lá íamos buscar o pão, ou esperávamos pela regueifa dominical que vinha ter a casa. Tinha a marca de Valongo. Sempre com o saco nas mãos.
Podia ler-se nas saquinhas de pano, saco do pão, pão por Deus, o pão nosso, simplesmente pão.

Sacos com o nome da dona da casa ou com bordados de belas flores e lindos desenhos. Sacos retalhados elaborados de trapos de vários panos sobrantes.

Sim, há largos anos, as raparigas de aldeia não compravam conjuntos de cozinha ou camisas de dormir, as populares combinações. O enxoval era fabricado à mão com os tecidos que os parcos rendimentos permitiam. Uma camisa de noite de tecido fino e transparente, às bolinhas azuis, era a menina dos olhos de todas.
Alguns tecidos eram oferecidos, outros foram respigados no fundo dos baús
Tules antigos, quadrados de tecidos perdidos, pedaços de lã. E criavam-se peças únicas a pensar nos tempos em que as raparigas casadoiras criavam o seu próprio enxoval. Os parcos rendimentos não permitiam comprar conjuntos de cozinha ou camisas de dormir. As raparigas eram estilistas do seu próprio enxoval criado ao serão entre quatro paredes.
Ninguém era exceção. Hoje há quem se lembre desses tempos idos, tal como as suas contemporâneas.

Não faltavam os sacos do pão.
Não sei o porquê, mas não será difícil escrutiná-la, mas antigamente não se usava muito a cor alva nos sacos de pão. Eram de todos os tamanhos e de várias cores prevalecendo os cremes e outras ambiências claras, com bordados de todas as cores, excelsamente executados. Havia até quem fizesse sacos de pano escuros para ir buscar outros géneros de produtos alimentícios.
As famílias mais abastadas aventuravam-se nas peças mais sofisticadas.
Um pedaço de tecido brilhante azul das danças de salão transformava-se numa bolsa de cerimónia. Um brinco de mola sem par, perdido num guarda-joias antigo, fechava a bolsa digna de usar em qualquer festa. Lá dentro há um batom antigo que foi respigar às memórias de outros tempos.
Sacos de fino linho ou algodão de boa qualidade. Bordados personalizados.
Tempos que não voltam esses tempos saudáveis, amigos do ambiente.

Armindo Alves Costa