«Fazer Render o Peixe» em Portimão

Até maio de 2017, o Museu de Portimão propõe uma programação que, à volta da cultura do mar, pretende cruzar a arte contemporânea e a gastronomia.

Com o objetivo de «atacar» a chamada época baixa do turismo, o município de Portimão, através do Museu daquela cidade algarvia, apresenta uma programação que decorrerá durante oito meses, tendo como palco o museu, e contando com a direção artística da associação Aspas e Parênteses, parceiro na iniciativa apoiada no âmbito do «Programa 365 Algarve».

José Gameiro, diretor científico do Museu de Portimão, explicou ao Sul Informação que este projeto surgiu de um «trabalho de equipa entre nós e a associação Aspas e Parênteses», responsável pela direção artística. «Tivemos várias reuniões, trocámos ideias, até que se chegou a este modelo, que se adequa ao trabalho que o Museu tem vindo a fazer. Só nos faltava o financiamento, que foi agora possível graças ao 365 Algarve», acrescentou.

A dupla que marcará a abertura do ciclo “Fazer Render o Peixe em Portimão”, agendada para o dia 27 de outubro, às 18h00, é composta pelo artista Kwame Sousa, autor da exposição “Um Olhar Sobre o Peixe Seco”, e pelo chef André Magalhães, responsável pelos aromas e sabores de uma Cataplana de Litão com Algas, recriação de um prato típico da região, que será dado a degustar aos presentes e se juntará à evocação das cores e tradição do peixe seco no Algarve, promovida pelas telas de grande formato do artista santomense.

Até ao dia 18 de Dezembro, em contraponto com a obra de Kwame Sousa, os visitantes terão oportunidade de conhecer o vídeo realizado por Tiago Pereira, videasta e divulgador conhecido pelo projeto A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria. Trata-se do primeiro episódio da série “Esporão & A Comida Portuguesa a Gostar Dela Própria”, dedicado precisamente ao litão, preparado pela mão do chef, crítico e gastrónomo André Magalhães.

Também conhecido na zona de Olhão por «bacalhau dos pobres», o litão (ou leitão) tem vindo a ser recuperado para a gastronomia algarvia, nomeadamente com a criação de uma confraria gastronómica e é hoje é um produto muito utilizado, nomeadamente pelos Chefes na vertente gourmet.

Trata-se de um pequeno tubarão (Pristiurus melastomus) que ainda hoje pode ser visto a secar ao sol, depois de escalado e salgado, na zona ribeirinha de Olhão. O «apelido» bacalhau justifica-se com o facto de ser preparado como este peixe dos mares frios, tradicionalmente em caldeirada ou em feijoada mas, como refere o Sul Informação, agora até na cataplana.

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