Projeto estuda intoxicação alimentar através do consumo de peixe

Encontra-se em desenvolvimento um projeto internacional de cooperação sobre intoxicação alimentar por ingestão de peixe contaminado por Ciguatoxina.

O projeto envolve 13 organizações de 6 Estados-membros e a EFSA que assinaram um acordo-quadro de parceria, em 19 de abril de 2016, para a caracterização do risco de Ciguatera em intoxicações alimentares na Europa.

Este Framework Partnership Agreement, com a duração de quatro anos, é o primeiro projeto internacional co-financiado pela EFSA, no qual a ASAE marca presença com a responsabilidade da estratégia Global de Comunicação em parceria com a AECOSAN – Agencia Española de Consumo, Seguridad Alimentaria y Nutrición, tendo a reunião de kick-off do projeto já decorrido em Madrid no passado dia 1 de junho.

A Ciguatoxina pertence ao grupo das toxinas-CTX e encontra-se em peixes que se alimentam de um microorganismo que produz esta substância tóxica, transmitindo-se aos humanos pela ingestão destes peixes associados a águas tropicais cujos habitats são sobretudo os recifes de coral.

Os sintomas associados ao consumo de peixes afetados por esta toxina são diversos, desde perturbações gastrointestinais, neurológicas e até cardíacas.

5-1Os peixes contaminados por consumo de microalgas com esta toxina, podem ser encontrados principalmente nas águas quentes do Pacífico, Caraíbas e Oceano Índico. No entanto, como resultado do aquecimento global, foram recentemente identificadas toxinas do grupo-CTX em peixes na Europa.

Em 2004 foi detetado nas águas das Ilhas Canárias e Madeira, Gambierdiscus spp., responsável por ciguatera, havendo relato de surtos de intoxicação alimentar de ciguatoxina desde 2008 nestas Ilhas, razão pela qual além da ASAE, do IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera e do INSA – Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge como parceiros, ainda colaboram neste projeto o Parque Natural da Madeira e a Direção Regional das Pescas da Madeira.

Novas descobertas sugerem que o microorganismo se encontra cada vez mais difundido no Mediterrâneo, sendo que a potencial expansão destas microalgas para novas zonas marítimas já representa um risco emergente.

Este projeto tem como principais objetivos, além do desenvolvimento de métodos analíticos de deteção de ciguatoxinas, determinar a verdadeira incidência de ciguatera na Europa, bem como as características epidemiológicas dos casos e, avaliar a presença de ciguatoxinas nos alimentos e no ambiente na Europa.

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