Prato da região italiana afetada pelo terramoto «promove» solidariedade

A famosa «pasta all’amatriciana», uma especialidade nascida na cidade italiana de Amatrice, uma das mais afetadas pelo recente terramoto, está a ser a «estrela» de uma iniciativa solidária a decorrer em restaurantes de Itália, mas não só.

Fala-se em mais de um milhar de restaurantes que, em Itália, já aderiram à campanha que prevê a doação de 2 euros à Cruz Vermelha italiana, por cada prato de «Massa à Matriciana» servido aos seus clientes.

Mas também o chef britânico Jamie Oliver aceitou esta ideia, convidando os seus clientes a “comer pela Itália”, uma cadeia de restaurantes britânicos seguiu o exemplo e dois restaurantes em Nova Iorque e um em Espanha disseram que iam fazer o mesmo. Tudo indica que a campanha vai crescer (e muito) nos próximos dias.

O diretor da rede internacional Slow Food convidou os donos dos restaurantes a “colocar no menu o prato emblemático de Amatrici, pelo menos durante um ano, e a doar parte das receitas”. Aos clientes, Carlo Petrini pede “que escolham este prato”, revelou em comunicado.

Por maior que seja a tragédia que se abateu sobre as populações daquela região, há o sentimento de que a tradição gastronómica não se perdeu e, por essa razão, deverá mesmo constituir uma das componentes que contribuirá para a reconstrução daquela cidade, importante produtora de guanciale, um tipo de bacon, e queijo pecorino (ovelha), dois ingredientes do molho matriciana, base do famoso prato.

1.1Com 2,6 mil habitantes, a cidade preparava-se para o 50º Festival do «Esparguete à Matriciana» e, por isso, estava repleta de turistas.

Um evento que obviamente não se realizará, mas que levou já a esta iniciativa solidária de grande significado.

Diz-se que o famoso molho foi preparado pelos pastores com os ingredientes disponíveis nas montanhas quando seguiram os seus rebanhos no período de transumância. Usaram então, bacon e queijo, dois ingredientes que ainda são produzidos por criadores amadores. Originalmente o Amatriciana era branco mas com a descoberta da América, a cozinha italiana «adotou» o tomate e este molho não fugiu «à regra».

A propagação por todo o país do ‘molho amatriciana’ aconteceu no século XIX, quando muitos naturais daquela cidade emigraram para Roma, devido à crise do pastoreio e, encontrando empregos na restauração, divulgaram o prato de seus antepassados.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *