“Portugueses consomem o dobro da quantidade de açúcar recomendada”

Declaração de Pedro Graça, diretor do Programa para a Promoção da Alimentação Saudável em entrevista ao Diário de Notícias.

No que respeita aos produtos ‘proibidos’ que continuam a ser disponibilizados nas máquinas de venda automática das escolas, o entrevistado revela que, pontualmente, a entidade recebe alertas de pais relativamente a escolas que não cumprem as normas, casos que são encaminhados para os estabelecimentos de ensino e para o Ministério da Educação. Pedro Graça conclui que “”há escolas mais amigas da alimentação saudável do que outras. Depende muito do esforço dos diretores e do envolvimento dos pais.

Quanto à forma de, pelo menos, diminuir o problema, Pedro Graça revela que a Direção-Geral da Educação tem um regulamento sobre o que deve ser oferecido, restringido e evitado nas escolas. O próprio Programa que dirige tem feito sistematicamente alertas para a necessidade de os diretores das escolas estarem sensibilizados e para as famílias, que devem ir às escolas e ver o que se passa. “Infelizmente, há muitos pais que delegam completamente na escola a responsabilidade pela educação alimentar dos filhos. A primeira coisa que as crianças fazem é imitar os pais. A educação começa em casa”, alerta.

Quanto ao consumo exagerado de açúcar, Pedro graça revela que “em Portugal, consome-se o dobro da quantidade de açúcar recomendada e uma grande parte vai em produtos alimentares, como bolos e sumos. Da literatura científica internacional identificámos duas estratégias. A primeira passa pela educação e sensibilização das pessoas para que tenham consciência de que o açúcar é nefasto para a saúde. Há crianças de 2 e 4 anos que consomem regularmente refrigerantes. É por isso que queremos insistir neste dado. Por outro lado, os ambientes onde são oferecidos açúcares devem ser restritos. Não podemos facilitar acesso ao açúcar”.

Relativamente à taxação de bebidas açucaradas com reduzido valor nutricional “aparentemente, tem funcionado em alguns países. Mas é uma medida que exige muita reflexão antes de ser posta em prática. É preciso analisar se temos capacidade de fiscalizar, quais os produtos que vale a pena taxar. Iniciámos este processo para que se reflita, porque Portugal consome o dobro do açúcar recomendado, o que tem um impacto gritante nas cáries dentárias e na obesidade”, afirma o dirigente.

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