//Em Portugal já se produzem farinhas com insetos

Em Portugal já se produzem farinhas com insetos

Empresas portuguesas aguardam autorização para comercializar produtos para alimentação humana produzidos com farinhas feitas com larvas de insetos.

O objetivo é criar fontes de proteínas através do desenvolvimento de alimentos produzidos com insetos, indo ao encontro da FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, que recentemente alertou para a necessidade de se encontrarem alternativas sustentáveis para produzir proteína animal, substituindo as carnes de vaca, de porco e de frango cuja produção provoca “impactos brutais”. E é nesse sentido que empresas portuguesas estão já a transformar larvas de insetos em farinhas para incorporar em bolachas, pão, patés e barras proteicas.

O fundador da Nutrix, empresa de Leiria que tem em fase experimental a produção de larvas de grilo para alimentação humana, comentou à agência Lusa: “Há muitos anos que os humanos comem insetos. No mundo ocidental deixámos de comer em certa altura da história e o que está em jogo neste momento é voltarmos a comer”. José Gonçalves acrescentou que

“do ponto de vista nutricional, os insetos são riquíssimos e, sendo, simultaneamente, sustentáveis do ponto de vista ambiental, é um dois em um que raramente se consegue com outros alimentos”, frisou.

Por seu lado, Guilherme Pereira, um dos fundadores da Portugal Bugs, empresa de Matosinhos que cria larvas de besouros pretos (bicho da farinha ou tenébrio) para alimentação humana e animal afirma que “há insetos que conseguem ter a quantidade máxima de aminoácidos essenciais que precisamos e não conseguimos sintetizar. O ser humano precisa de proteína para conseguir sobreviver. Uns vão buscar à carne e outros aos vegetais, mas essas fontes proteicas são insustentáveis se pensarmos nos recursos hídricos que gastamos, no espaço que precisamos, nos gases com efeito de estufa que se libertam”.

Enquanto decorrem os processos de aprovação para alimentação humana, a Portugal Bugs está já a produzir, tanto as larvas como o produto final (onde se incluem barras proteicas, recentemente premiadas, mas também pães, massas, bases para pizas), para quando puder entrar no mercado o fazer “sem depender de terceiros”, sendo “mais competitivos” e garantindo a forma como os insetos são produzidos.

Por seu turno, a Nutrix está “em fase experimental”, a “arrancar com a unidade piloto de produção de insetos” que, tal como a Portugal Bugs, vai incorporar, em forma de farinha, “em alimentos que já conhecemos, como, por exemplo, para enriquecer uma bolacha, uma barra proteica, um pão, um paté”, já que acredita que “o consumo de insetos no mundo ocidental vai entrar por essa via” e não pelo consumo do animal inteiro, como acontece em outros pontos do mundo.