//Porco preto é bom, é uma ‘treta’?

Porco preto é bom, é uma ‘treta’?

Sim, pode ser uma afirmação falsa, uma mentira, uma ‘treta’.

Quando falamos em porco preto, somos de imediato ‘mentalmente transportados’ para o Alentejo e com razão. Na verdade o animal a que chamamos porco preto, o genuíno, é o Porco de Raça Alentejana (Sus Ibericus) e “tem o seu habitat natural a sul de Portugal, abrangendo toda a região Alentejana” como refere a Associação de Criadores de Porco Alentejano (ACPA).

Acrescenta a ACPA que “sendo explorado em sistema de regime extensivo, tem por base de alimentação produtos agrícolas (cereais, bolota, erva, etc.) associados ao ecossistema mediterrânico. O acabamento e engorda é por excelência feito no montado, onde as bolotas servem de repasto e originam um tipo de gordura intramuscular saudável, que dão origem a produtos tradicionais qualificados (DOP’s e IGP’s) com características únicas.”

Ora, é aqui que está o ‘busílis’.

Imagine que alguém cria porcos de raça alentejana dentro de uma pocilga, onde quase não conseguem movimentar-se. Trata-se de fazer exatamente o contrário da recomendada (e obrigatória) “exploração em sistema de regime extensivo”. E ainda por cima, esses animais são alimentados a farinhas, o que contraria as normas de terem “por base de alimentação produtos agrícolas (cereais, bolota, erva, etc.) associados ao ecossistema mediterrânico.”

Poderá continuar a ser ‘porco de pele preta (ardósia)’ mas não é, seguramente, aquilo que o consumidor espera pois a textura e o sabor são muito diferentes, embora nem todos os consumidores consigam facilmente fazer a destrinça.

Mas não pense que este é a única ‘aldrabice’ que fazem, porque na maioria dos casos, trata-se de «gato por lebre» ou seja, porcos vulgares, engordados de forma ‘industrial’ e vendidos em peças ou transformados (enchidos), como ‘porco preto’.

O que fazer então?

Antes de mais, talvez fosse uma boa ajuda que os verdadeiros produtos de Porco Alentejano fossem comercializados, com a indicação complementar (nem que seja com parêntese) de ‘porco preto’.

Do lado do consumidor há que ler os rótulos e procurar e optar SEMPRE pelos produtos que apresentem a indicação DOP – Denominação de Origem Protegida e IGP – Indicação Geográfica Protegida. Trata-se de duas siglas de grande importância para sabermos que não estamos ser enganados.

Resumindo: Porco de Raça Alentejana é Porco Preto, sem treta!

 

“treta”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

[Informal]  História falsa. = MENTIRA, PETA, TANGA