//Polvo congelado: mais água que molusco

Polvo congelado: mais água que molusco

Mesmo cozinhado a vapor, o polvo congelado pode chegar a ficar com menos 65% do peso original.

A explicação está no facto de os produtores adicionarem água ao polvo ultracongelado para o tornar mais pesado, pagando-se muito por água e não por polvo.

De acordo com o site da Deco.proteste as “análises laboratoriais não deixam margem para dúvidas: os produtores adicionam água para que o polvo fique mais pesado e, assim, possam lucrar mais por cada quilo”.

No teste a 24 amostras de polvo ultracongelado, o tamanho é, na maioria, uma grande ilusão. Segundo Nuno Lima Dias, responsável pelo estudo, o que está a falhar, “em primeiro lugar, é a lei, mas a fiscalização não pode deixar de inspecionar a ausência da indicação de água adicionada, pesos indicados superiores aos reais e ainda aditivos na lista de ingredientes.”

O artigo continua, recordando que “o polvo perde naturalmente muita água, mas se for adicionada, essa perda é ainda mais visível. E não há nada na lei que proíba esta prática. Basta pôr este molusco em água, que parte é absorvida.

Por isso, é tão fácil vender água como se fosse polvo. É inaceitável o que encontrámos: valores enormes de água adicionada e apenas duas amostras com resultados positivos. Há muito por regulamentar, como as práticas fabris e os parâmetros físico-químicos no produto final, para que o consumidor não continue a pagar água ao preço de polvo”, esclarece Nuno Dias reforçando que “também exigimos penalizações dissuasoras”.

Acrescente-se ainda que a riqueza em proteína também é uma desvantagem. “Pensamos que estamos a comprar um alimento proteico, quando o teor de proteínas pode não atingir metade da que se encontra na generalidade dos peixes. Temos, isso sim, um alimento com demasiada humidade.”

Ao contrário do que a lei exige, na maioria das vezes, essa água não vem declarada no rótulo. Com alguma frequência, alguns aditivos, como o ácido cítrico, um antioxidante, também não vêm indicados.