A Páscoa, o coelho e os ovos

Antes da associação à ressurreição de Cristo, a Páscoa anunciava a época de melhores colheitas e o coelho e os ovos simbolizavam fertilidade, nova vida.

Antes de ser considerada uma das principais festas da cristandade a Páscoa anunciava o fim do inverno e a chegada da primavera.

Principalmente na região do Mediterrâneo, algumas sociedades, entre elas a grega, festejavam a passagem do inverno para a primavera, durante o mês de março. A própria palavra «páscoa», que vem do hebreu ‘peschad’, do grego ‘paskha’ e do latim ‘pache’, significa passagem, associada a uma transição anunciada pelo equinócio de primavera.

Uma corrente de estudiosos afirma que a origem da festa cristã da Páscoa está na festa judaica, embora com significados diferentes pois enquanto para o Judaísmo, representa a libertação do povo de Israel no Egito, no Cristianismo a Páscoa representa a morte e ressurreição de Jesus.

Ainda hoje, os cristãos celebram a Páscoa valorizando e enfatizando a importância da ressurreição de Jesus Cristo.

Entre os cristãos, a semana anterior à Páscoa é considerada como Semana Santa. Esta semana tem início no Domingo de Ramos que marca a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém.

O coelho da Páscoa

No antigo Egito, o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida. Alguns povos da Antiguidade consideravam-no o símbolo da lua, sendo possível que se tenha tornado símbolo pascal devido ao fato de a lua determinar a data da Páscoa.

A lua, sobretudo nesta altura do ano, está associada a boas colheitas, abundância, vida nova, acreditando-se por isso que a imagem do coelho na Páscoa se relaciona com a fertilidade que os coelhos possuem ao gerar grandes ninhadas e vistos, portanto, como símbolos de renovação e início de uma nova vida.

Existe uma lenda que conta que uma mulher pobre coloriu alguns ovos e os escondeu num ninho para dá-los a seus filhos como presente de Páscoa. Quando as crianças descobriram o ninho, um grande coelho passou a correr. Espalhou-se então a história de que o coelho é que trouxe os ovos.

Tudo indica que a ‘febre’ do «coelhinho da Páscoa» ganhou força nos Estados Unidos por volta do século 18, quando os imigrantes europeus iniciaram a colonização daquele território. Depois… vieram os coelhinhos de chocolate

3.1O ovo da Páscoa

Muitos séculos antes do nascimento de Cristo, no Equinócio da Primavera, a 21 de março, já se trocavam ovos para assinalar o fim do Inverno e a chegada da Primavera como estação das colheitas. Para obterem os benefícios dos “Deuses das Colheitas”, os agricultores enterravam ovos nas suas terras.

Quando a Páscoa cristã começou a ser celebrada, a troca de ovos começou a fazer parte da Semana Santa. Os cristãos passaram então a ver no ovo um símbolo da ressurreição de Cristo e, por se tratar de uma data festiva, pintavam-se os ovos (ocos) de galinha, de cores alegres.

Ao longo dos séculos a tradição dos ovos da Páscoa foram sofrendo alterações em função da cultura dos povos e dos caprichos dos monarcas. Por exemplo, Eduardo I de Inglaterra, no século XIII, dava como presente aos seus súbditos favoritos, ovos banhados a ouro. Em França, Luís XV, ofereceu à sua amante Madame du Barry um ovo de grandes dimensões, com a estátua do Cupido no seu interior.

Diz-se que este episódio inspirou o joalheiro Peter Karl Fabergé, na corte russa, a conceber os famosos ovos Fabergé, a partir de 1885, quando o Czar Alexandre III encomendou o primeiro ovo para a sua esposa, Maria Fedorovna. No interior deveria estar uma “surpresa inesquecível”, deixada ao critério do joalheiro.

Ficaram célebres os Ovos da Páscoa Imperiais que Fabergé criou entre 1885 e 1916, sabendo-se, por exemplo, que em 2002, um ovo imperial de Fabergé foi vendido pela Christie’s por 8,5 milhões de euros.

Quando no século XVII o cacau começou a chegar das Américas para o fabrico de chocolate na Europa, foi «adotado» pelos pasteleiros franceses que recheavam ovos de galinha com…chocolate. E para os tornar mais atraentes, pintavam-nos.

Quando no final do século XIX apareceram os primeiros moldes, os ovos passaram a ser inteiramente feitos de chocolate e, mais uma vez, com desenhos e cores alegres, na película que os protege.

Mais recentemente, a máquina comercial «obriga» a que todas as crianças tenham que se ‘lambuzar’ de chocolate, seja na forma de ovos, ou na de um coelhinho.

Fotos: papel de parede ‘os mais.com’.

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