Pão alentejano quer IGP

Conquista da Indicação Geográfica protegida (IGP) para o pão alentejano é um dos objetivos para 2018 da Terras Dentro e Turismo do Alentejo.

O pão alentejano, sem dúvida um dos produtos que melhor identificam o património do Alentejo, deverá conquistar durante o ano que se inicia uma importante certificação como IGP – Indicação Geográfica Protegida, como resultado de um projeto que junta produtores, uma associação e a entidade regional de turismo.

Definido como um “pão dobrado e com cabeça, feito com farinha de trigo”, com um miolo “compacto, de cor marfim acinzentado”, e uma crosta “baça e estaladiça” deverá alcançar o objetivo através do projecto “Qualificação do Pão Alentejano”, promovido pela Terras Dentro — Associação para o Desenvolvimento Integrado, sediada em Alcáçovas, no concelho de Viana do Alentejo (Évora), e pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo.

“O pão alentejano é património desta região. É um produto com uma forte história e tradição, tem um valor incalculável e considerámos que tinha de ser protegido e continuar a ser fiel à sua génese”, explicou à agência Lusa Francisca Valério, da Terras Dentro.

O trabalho, acrescentou, resulta de uma candidatura ao programa Alentejo 2020, aprovada em 2015, com financiamento comunitário, e já permitiu “criar instrumentos que podem servir de base” a “um processo de registo de proteção do produto”, a apresentar pelos produtores.

“Estamos na fase de constituição do agrupamento de produtores” e “há muitos padeiros e padeiras interessados em integrar o agrupamento e em avançar com o registo”, destacou.

Segundo Francisca Valério, a intenção passa por pedir a criação da Indicação Geográfica Protegida (IGP): “Se todos os fatores forem convergentes, acreditamos que, muito brevemente, talvez já em 2018, esta possa vir a ser uma realidade.”

“Será uma mais-valia para os produtores e para o próprio consumidor”, porque a IGP fornece “uma garantia de qualidade”, e pode contribuir para “agregar os produtores em prol de uma causa, a do pão alentejano e da preservação da sua qualidade e da sua génese”, frisou.

De acordo com a Terras Dentro, o objectivo é “valorizar e proteger um produto com forte impacto económico na região”, contribuindo “para o aumento da competitividade das micro e pequenas empresas do sector e de outras actividades a montante e a jusante da fileira do pão”.

A elaboração de um caderno de especificações descritivo do processo de confecção e a criação de um painel de provadores, em parceria com a Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Beja, foram outros dos passos dados.

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