Os «Velhotes» de Valadares

Não, não se trata de um grupo de idosos, mas de uma especialidade doceira desta vila do concelho de Vila Nova de Gaia.

O ‘Velhote’ é um delicioso pão meio açucarado que terá chegado a Valadares por volta de 1880, através de João de Sousa que, talvez influenciado pela tradição da sua terra natal, ali montou uma pequena padaria de tipo artesanal onde, em quantidades ainda reduzidas, começou a produzir os «Velhotes».

Na verdade, o nome original destes doces é «Velhotes da Braguesa». Da designação de «Velhotes» não se sabe a origem nem o ‘porquê’, mas quanto à «Braguesa» a explicação está no facto de a esposa do empresário ser natural de Braga, e da gentileza que o seu marido lhe quis prestar.

Por morte de João de Sousa em 1924, a exploração da padaria passou a ser feita pelo seu filho mais novo, mantendo-se as formas inicialmente instituídas, só mais tarde alteradas com a montagem de uma amassadeira mecânica.

Inicialmente os velhotes eram fabricados aos sábados, encomendados por alguns retalhistas que o vendiam nas romarias gaienses, nomeadamente no Senhor da Pedra e na festa do Senhor dos Aflitos que se realiza em julho em Valadares.

Atualmente os velhotes continuam a vender-se em Valadares (o seu berço histórico há mais de 130 anos) e ‘alastraram’ para as freguesias de Avintes, Madalena, Vilar do Paraíso e Serzedo.

São vendidos às sextas, sábados e domingos e “raramente nos outros dias de semana”, esclarece fonte da Confraria Gastronómica dos Velhotes alertando que “em alguns locais a qualidade é muito duvidosa”. Para maior certeza no ato da compra, tente saber os locais de venda «recomendados» pela Confraria.

Na base da receita dos Velhotes está a farinha, água, açúcar, ovos, sal e levedura ou fermento. Há uma «versão», mais antiga, onde entram canela, essência de limão e açafrão.

X Capítulo

No próximo dia 1 de julho a Confraria Gastronómica dos Velhotes realiza o seu X capítulo e vai homenagear alguns confrades efetivos e de honra pelos relevantes serviços prestados à Confraria e também “evocar a memória dos que partiram deste mundo e que perdurarão para sempre na nossa memória velhotiana”, informa a confraria.

Na próxima edição o ‘Jornal dos Sabores’ dará mais informação sobre o capítulo da Confraria Gastronómica dos Velhotes.

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