//Os três ‘pecados’ de Alcobaça

Os três ‘pecados’ de Alcobaça

‘Amor Meu’, ‘Barriga de Freira’ e ‘Pão de Ló de Ovar’ foram os doces escolhidos pelo júri do prémio de Melhor Doce Conventual.

Entre mais de duas dezenas de verdadeiros ‘pecados da gula’ que se apresentaram a concurso no primeiro dia do evento, após alguma discussão (no verdadeiro e bom sentido da palavra), o júri acabou por ‘adoçar’ a situação de impasse, premiando um trio de doces.

Cada um dos três doces receberam ‘Menção Honrosa’, uma vez que no final da soma das pontuações atribuídas pelo júri ficaram com a mesma pontuação. Como o regulamento prevê a atribuição de apenas um prémio principal, seguido de menções honrosas, pode dizer-se que, na verdade, registaram-se três vencedores.

Os premiados no concurso ‘Melhor Doce Conventual’ da 20ª edição da Mostra Internacional de Doces & Licores Conventuais foram:

“Amor Meu” (Atelier do Doce, Alcobaça), “Barriga de Freira” (Pastelaria Alcôa, Alcobaça) e “Pão de Ló de Ovar” (Oportune Tempore, Ovar) foram os doces escolhidos pelo júri.

Destaque ainda para o prémio de Melhor Compota, atribuído à compota de “Figo com Vinho do Porto” (Monjas Cisterciences de Rio Caldo), e para o prémio de Melhor Licor Conventual, atribuído ao Licor de Singeverga 30% VOL. (Santo Tirso), e a respetiva Menção Honrosa atribuída ao “Licor de Framboesa” da Licores Abbatiale (Alcobaça).

Os doces Conventuais

É habitual associar os doces conventuais à sua origem, embora esta não seja uma tarefa fácil já que são muitos, sobretudo os mais conhecidos, os doces que foram ‘recriados’ em vários outros Mosteiros ou Conventos. Sobretudo a transferência de freiras entre conventos, mas também a dispersão geográfica destas após a extinção das Ordens Religiosas em 1834, levou a que muitos doces criados numa determinada origem viessem a conhecer outras ‘versões’, adaptadas aos locais onde se fixaram as ‘conhecedoras’ das receitas.

Garantir a origem e o receituário mais genuíno tem sido um dos objetivos de investigadores e outros intervenientes nesta área. Mas ser exigente e rigoroso em relação a quem produz e comercializa a doçaria conventual é uma ‘necessidade’, no mínimo, muito delicada, pois atualmente há já quem viva exclusivamente desta atividade, criando postos de trabalho e dinamizando as economias locais.

É um trabalho lento (como o que tem sido feito em relação aos novos cozinheiros) e para o qual é preciso alguma ‘flexibilidade’ na análise, alertando e contribuindo para que os resultados confirmados das investigações cheguem aos profissionais. Desde logo, começando pelas escolas, naturalmente.